ONG israelita denuncia medidas aprovadas por Israel sobre a Cisjordânia
- 08/02/2026
Numa declaração, a Peace Now destaca os dois principais aspetos de um conjunto de medidas aprovado hoje pelo Gabinete de Segurança do Governo israelita: a revogação de uma lei jordana de 1953 que limita a compra de terras a cidadãos árabes e a expansão das competências civis israelitas sobre zonas sob o comando da Autoridade Palestiniana.
A Peace Now salienta o facto de estas decisões terem sido tomadas pelo Gabinete de Segurança e não pelo Governo na sua totalidade, alertando que, uma vez que a Cisjordânia é governada por um regime militar israelita, alterar as leis ali aplicáveis não é competência do Parlamento de Israel, mas sim do Ministério da Defesa.
As medidas anunciadas incluem cancelar a proibição de venda de terrenos da Cisjordânia a judeus israelitas, desclassificar os registos de terrenos da Cisjordânia para facilitar a aquisição de terras, transferir o planeamento de construções em locais religiosos e outros sensíveis na cidade de Hebron para as autoridades israelitas, e permitir a gestão israelita de questões ambientais e arqueológicas em áreas administradas pelos palestinianos.
As medidas também visam reativar um comité que permitiria ao Estado de Israel efetuar compras de terrenos "proativas" no território --- "um passo destinado a garantir reservas de terras para colonização para as gerações futuras".
No que diz respeito à expansão das suas competências nas áreas A e B da Cisjordânia, que estão sob administração civil da Autoridade Palestiniaa - a C (cerca de 60% do território) está sob controlo total israelita -, a Peace Now indica que "o Governo ignora os compromissos internacionais e pretende iniciar operações administrativas nas áreas da Autoridade Palestiniana".
A decisão de Israel foi anunciada alguns dias antes de o Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu, se encontrar com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, onde anunciou que ia para tratar das negociações com o Irão e de outras questões.
O grupo islamista palestiniano Hamas denunciou como parte do "plano de anexação" da Cisjordânia e "limpeza étnica" contra os palestinianos as medidas adotadas hoje pelo Governo israelita.
"O povo palestiniano não aceitará estas políticas de ocupação e continuará a agarrar-se aos seus direitos históricos, e não se desviará da opção da resistência como meio de livrar-se da ocupação", indicou num comunicado.
O Hamas pediu ainda aos países árabes para que tomem "medidas práticas e sérias" e cortem as suas relações com Israel e à ONU e à comunidade internacional que exerçam "uma pressão real e eficaz" sobre Israel para que preste contas "pelos seus crimes contínuos" contra o povo e a terra palestiniana.
Também o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, denunciou as medidas "ilegítimas e ilegais" anunciadas por Israel, as quais, afirmou, não têm efeitos legais.
"Constitui uma ampliação prática dos planos de anexação e deslocamento" que "violam todos os acordos assinados entre a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e Israel", contrariando os Acordos de Oslo e o Acordo de Hebron, declarou.
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