Nova ronda negocial entre EUA e Irão termina com ameaças de Khamenei
- 17/02/2026
No momento em que as duas delegações se encontravam na residência de Omã, paÃs mediador das conversações, o ayatollah Ali Khamenei proferiu um discurso virulento, garantindo que a América jamais conseguirá destruir a República Islâmica.
Perante o destacamento no Golfo do porta-aviões USS Abraham Lincoln, o dirigente, de 86 anos, endureceu o tom. "Um navio de guerra é certamente uma arma perigosa, mas a arma capaz de o afundar é ainda mais perigosa", afirmou.
O porta-aviões - que transporta cerca de 80 aeronaves - e os navios de escolta encontram-se atualmente a cerca de 700 quilómetros da costa iraniana. Um segundo, o Gerald Ford, deverá juntar-se-lhe, em data ainda incerta.
A declaração de Ali Khamenei surge numa altura em que os Guardas da Revolução, o exército ideológico do paÃs, realizam manobras militares, com contornos de demonstração de força, no estreito de Ormuz, ponto de passagem estratégico para o comércio mundial de petróleo.
Por razões de "segurança", durante estes exercÃcios, o estreito será parcialmente encerrado durante "algumas horas", informou na terça-feira a televisão estatal iraniana.
O Irão e os Estados Unidos tinham retomado o diálogo a 06 deste mês, em Mascate, capital de Omã, após uma escalada de ameaças de parte a parte. Desta vez, reuniram-se na residência do embaixador de Omã em Cologny, comuna vizinha de Genebra, para cerca de três horas e meia de conversações por troca de mensagens, segundo os meios de comunicação iranianos.
Chegada durante a manhã, a delegação norte-americana deixou o local cerca das 12:45 de Lisboa, seguida pouco depois pela iranians, segundo reportou a AFP. As delegações foram chefiadas, de um lado, pelo emissário Steve Witkoff e pelo genro de Donald Trump, Jared Kushner, e, do outro, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi.
Nada foi adiantando sobre as negociações realizadas à porta fechada, mas o Irão tinha saudado na segunda-feira as conversas anteriores em Mascate. À luz dessas primeiras discussões, sublinhou segunda-feira o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, "pode-se concluir, com prudência, que a posição norte-americana sobre a questão nuclear iraniana se tornou mais realista".
Hoje, Baqaei recordou que, para Teerão, qualquer acordo com Washington deve ser acompanhado de um levantamento das sanções, dois elementos "indissociáveis".
Numa economia asfixiada pelas sanções internacionais, o poder de compra dos iranianos deteriorou-se nos últimos meses, num contexto de hiperinflação e de forte desvalorização da moeda.
Os paÃses ocidentais e Israel, aparentemente a única potência nuclear no Médio Oriente, suspeitam que o Irão pretenda dotar-se de arma nuclear. Teerão nega tais ambições, mas insiste no seu "direito inalienável" a desenvolver um setor nuclear civil e a enriquecer urânio, nomeadamente para fins energéticos, em conformidade com as disposições do Tratado de Não Proliferação, de que é signatário.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, multiplicou os avisos após a repressão sangrenta de manifestações massivas em janeiro no Irão, deixando aberta a porta a uma solução diplomática, nomeadamente sobre o programa nuclear iraniano.
Na ausência de acordo, Trump ameaçou sexta-feira o Irão com consequências "traumatizantes" e evocou mesmo abertamente a hipótese de uma mudança de regime.
O Irão pretende limitar as conversações ao seu programa nuclear. Washington, tal como Israel, exige igualmente que Teerão limite o seu programa de mÃsseis balÃsticos e que cesse o apoio a grupos armados regionais.
No que respeita ao dossiê nuclear, o Irão declarou-se disposto a um compromisso relativamente às suas reservas de urânio altamente enriquecido, estimadas em mais de 400 quilogramas e cujo destino permanece incerto, caso Washington levante as suas medidas punitivas.
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