Nova-Iorquinos aderem a protesto contra ICE. "Vamos fechar tudo"
- 30/01/2026
"Não podemos continuar as nossas vidas como se nada tivesse acontecido, como se as pessoas não estivessem a ser assassinados por protestarem, a serem perseguidas por serem imigrantes. Não vamos deixar isso acontecer. Vamos fechar tudo", dizia, com recurso a um megafone, uma das oradoras do protesto em Nova Iorque, sendo amplamente aplaudida pelos manifestantes.
A organização pede uma paralisação dos trabalhos, das escolas e dos comércios como forma de protesto contra as rusgas agressivas do ICE em várias cidades do país, com particular incidência e gravidade em Minneapolis, onde dois cidadãos norte-americanos foram baleados mortalmente por agentes de imigração.
"O pedido de Minnesota é claro: não pode haver negócios como de costume enquanto o ICE mata os nossos vizinhos, sequestra o nosso povo e aterroriza o país. Minnesota liderou o caminho na semana passada com uma enorme greve geral com mais de 100 mil pessoas. Agora é a nossa vez", apelaram várias organizações de apoio aos direitos dos imigrantes nas redes sociais.
O ponto de encontro foi a Foley Square, a poucos metros da Câmara Municipal de Nova Iorque e da sede do ICE em Nova Iorque.
A sensação térmica rondava os 14 graus negativos em Nova Iorque no momento do protesto, mas as baixas temperaturas não intimidaram os milhares de pessoas que responderam ao apelo nacional em prol de uma paralisação.
Com a cidade ainda coberta de neve devido à tempestade do passado fim de semana, dezenas de jovens nova-iorquinos trouxeram pás e outros utensílios para tentar remover o gelo do recinto do protesto e assim evitar potenciais quedas dos manifestantes.
"Cortem o financiamento ao ICE!", "Justiça por Alex Pretti {norte-americano morto no domingo por agente de imigração}", "Protestar contra o ICE não é crime", "De Nova Iorque a Minneapolis, todo o sistema é culpado" ou "A tua coragem é suficiente para derreter o ICE" eram algumas das mensagens que se podiam ler nos cartazes erguidos na Foley Square.
"Estou aqui hoje porque estou cansado de tudo isto. Quero que o ICE pare de matar pessoas. Estou aqui também em homenagem an Alex Pretti. Estou muito assustado com a situação que o povo do Minnesota está a passar", disse à Lusa Jon, um nova-iorquino que não quis fornecer o último nome.
"As ações do Governo de Donald Trump estão cada vez mais fora de controlo. Ele está obcecado com esta perseguição aos imigrantes", acrescentou o homem de 46 anos.
A morte de Renee Good e Alex Pretti este mês desencadeou uma onda de protestos nos Estados Unidos, obrigando o Governo do Presidente, Donald Trump, a afastar de Minneapolis Gregory Bovino, designado como "comandante-chefe" das operações da Agência de Alfândegas e Proteção de Fronteiras, e que regressou ao antigo posto em El Centro, na Califórnia.
Após semanas de retórica agressiva e confrontos da polícia com manifestantes, Trump mostrou esta semana vontade de aliviar as tensões em Minneapolis, mas na cidade não se registam mudanças significativas, segundo a imprensa local.
O aparente recuo não foi suficiente para retirar os manifestantes das ruas.
Várias empresas e pequenas negócios aderiram também ao apelo de paralisação vindo de Minneapolis.
Uma das empresas a aderir foi a Plusable, que atua na área de relações públicas no estado de Nova Jérsia e que é liderada pelos luso-americanos Isabelle Coelho-Marques e Carlos Ferreira.
"A Plusable solidariza-se com a greve de 30 de janeiro. Esta não é uma posição partidária --- é um apelo humano e cívico, num momento em que o clima de apreensão no país ultrapassa divisões políticas e está a afetar o espírito americano, com impactos reais na segurança e na economia", disse à Lusa Carlos Ferreira, sócio fundador da companhia.
"Que este protesto sirva para estimular a reflexão e para que a administração atue com maior solidariedade, responsabilidade e sentido de urgência", apelou.
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