Nobel alerta para detenção de Narges Mohammadi: "Horrorizado"
- 11/02/2026
A ativista iraniana dos direitos humanos, de 53 anos, foi presa em 12 de dezembro na cidade de Mashhad (nordeste) com outros ativistas, depois de ter discursado numa cerimónia em homenagem ao advogado Khosrou Alikordi, que tinha morrido semanas antes em circunstâncias pouco claras.
"O Comité do Nobel Norueguês está profundamente horrorizado com relatos credíveis que descrevem a prisão brutal, os maus-tratos físicos e contínuos que colocam em risco a vida" de Narges Mohammadi, afirmou, em comunicado, pedindo novamente a "libertação imediata e incondicional" e o acesso a cuidados médicos.
No domingo, Mohammadi foi condenada a sete anos e meio de prisão "por reunião e conspiração para cometer crimes" e por "atividades de propaganda".
O Comité pediu ainda à comunidade internacional para que "persista nos esforços para garantir a segurança" de Mohammadi e defender os "princípios universais que ela tão corajosamente defende".
Ao citar fontes que testemunharam a apreensão de Mohammadi, a instituição norueguesa descreveu que a laureada foi agredida pelas autoridades iranianas "armadas com bastões e paus, arrastada pelo chão pelo cabelo, rasgando partes do escalpe, e causando feridas abertas".
Enquanto estava a ser transportada foi "agredida novamente na viatura e pontapeada na zona genital e pélvica, deixando-a incapaz de se sentar, levantando sérias preocupações quanto a fraturas ósseas".
"Apesar do estado crítico, foi submetida a um confinamento solitário prolongado numa cela sem janelas, com iluminação artificial constante, piso frio e roupa de cama inadequada. Ao longo do corredor, os sons horríveis de jovens mulheres a gritar de dor eram constantes, e uma forca no pátio era usada como método de intimidação psicológica", adiantou, na mesma nota.
Mohammadi foi transferida entre estabelecimentos prisionais e foi eventualmente escoltada até um hospital, onde foram documentados ferimentos extensos e sofrimento cardíaco agudo.
"No entanto, continua a ser-lhe negado acompanhamento médico adequado e contínuo, enquanto é submetida a interrogatórios intensos e intimidação", continuou a nota.
A fundação de Mohammadi alertou para o estado de saúde da ativista, que iniciou em 02 de fevereiro uma greve de fome em protesto contra as condições prisionais e a proibição de contactar telefonicamente com advogados e família.
Narges Mohammadi "pôs fim à greve de fome" no domingo, ao sexto dia, "havendo informações que indicam que o estado físico é profundamente preocupante", indicou a fundação.
A jornalista e ativista iraniana foi detida algumas semanas antes do início do movimento de contestação popular violentamente reprimido pelas autoridades do regime teocrático.
Nos últimos 25 anos, Mohammadi foi diversas vezes julgada e encarcerada pelo ativismo contra a pena de morte e o rígido código de vestuário imposto às mulheres no Irão.
Passou grande parte da última década atrás das grades e não vê os dois filhos, que vivem em Paris, desde 2015.
Em dezembro de 2024, foi libertada durante três semanas por razões médicas relacionadas com "o estado físico após a remoção de um tumor e um enxerto ósseo", indicou o advogado da ativista.
A União Europeia condenou, na terça-feira, a nova pena de prisão imposta à ativista iraniana e instou as autoridades de Teerão a libertar a Nobel da Paz de imediato.
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