Neutralidade de PSD e da IL "é normalização da extrema-direita"
- 23/01/2026
Em declarações à agência Lusa, à margem de uma visita ao Laboratório da Paisagem, em Guimarães, distrito de Braga, José Manuel Pureza considerou "inaceitável" a neutralidade e a equidistância dos dois partidos perante "candidaturas tão diferentes do ponto de vista da relação com a democracia", referindo-se a António José Seguro e a André Ventura, líder do Chega.
"É qualquer coisa que é absolutamente inaceitável, sendo que a disputa da segunda volta vai evidentemente ser uma escolha de natureza clara. Este silêncio, ao não tomarem posição, é a forma que Luís Montenegro, a direção do PSD e a liderança da IL, de tomarem posição, e é uma posição favorável à normalização da extrema-direita", salientou o coordenador do BE.
Para José Manuel Pureza, "ninguém percebe" a posição de Luís Montenegro, do PSD e da Iniciativa Liberal (IL), ao não apoiarem nenhum dos candidatos, neste caso, António José Seguro.
"A não ser que o que esteja em causa seja manter uma forma de legitimação do Chega e da extrema-direita, e isso parece-nos muitíssimo negativo", declarou o líder do BE.
Nas últimas horas mais personalidades da direita e do PSD manifestaram publicamente apoio a António José Seguro na segunda volta das presidenciais, como Luís Marques Mendes, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas e a ex-líder do CDS-PP Assunção Cristas.
Segundo José Manuel Pureza, a situação demonstra que Montenegro saiu "duplamente derrotado" na primeira volta das eleições presidenciais.
"Luís Montenegro não precisou de se candidatar às eleições presidenciais para sair duplamente derrotado: em primeiro lugar porque o seu candidato [Marques Mendes] ficou em quinto lugar, e em segundo lugar porque membros do PSD, e até membros destacados do PSD, percebem cada vez com maior dificuldade esta teimosia de Luís Montenegro de se manter equidistante diante das candidaturas que passaram à segunda volta", afirmou o líder do Bloco de Esquerda (BE).
Questionado sobre se a alteração na direita portuguesa face a votações em eleições pode favorecer a candidatura de André Ventura, o coordenador do BE disse não querer "fazer vaticínios", sublinhando que "tudo vai depender dos dias próximos de campanha eleitoral".
"Mas sobretudo da capacidade de mobilizar o eleitorado para defender aquilo que é essencial. O compromisso do Bloco de Esquerda é claro: é o de mobilizar as pessoas que têm estado connosco, e que se reconheceram na candidatura da Catarina Martins, tenham votado nela ou não, mas que se reconheceram na sua campanha e na sua candidatura, de as mobilizar para a segunda volta para defender a democracia. É esse o nosso compromisso", reiterou José Manuel Pureza.
No domingo, António José Seguro e André Ventura foram os mais votados na primeira volta das eleições para o Palácio de Belém e vão disputar a segunda volta, em 08 de fevereiro.
O candidato apoiado pelo PS e, agora, também por Livre, PCP e BE, conquistou 31% dos votos e Ventura, líder do Chega, obteve 23%.














