Netanyahu ameaça responder com "força sem precedentes" a ataque iraniano
- 27/01/2026
"É verdade que o Irão está a tentar recuperar, mas não permitiremos que isso aconteça. Se o Irão cometer o grave erro de atacar Israel, responderemos com uma força sem precedentes", disse Netanyahu, numa conferência de imprensa em Jerusalém.
As declarações do líder israelita surgem em plena tensão militar no Médio Oriente e da ameaça do Presidente norte-americano, Donald Trump, de usar a força contra a República Islâmica.
O Presidente iraniano disse hoje que a República Islâmica "sempre esteve e continua pronta a acolher, dentro da estrutura do direito internacional e com plena preservação e respeito pelos direitos da nação e do país, qualquer processo que conduza à paz, à tranquilidade e à eliminação de conflitos e guerras".
Ao mesmo tempo, numa conversa telefónica com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, Pezeshkian acusou os Estados Unidos e Israel de exercerem pressão económica sobre o Irão e apoiarem os recentes protestos que abalaram o país, seis meses após os bombardeamentos israelitas e norte-americanos contra instalações do programa nuclear iraniano.
"Pensavam que podiam transformar o Irão numa Síria ou numa Líbia", disse o chefe de Estado, segundo o seu gabinete, criticando uma compreensão insuficiente da "verdade, da natureza e da grandeza da nação iraniana".
As declarações do Presidente iraniano surgem após a chegada, no dia anterior, ao Médio Oriente de uma frota naval norte-americana.
Este destacamento foi ordenado por Donald Trump, que alertou o Irão para que cesse a repressão da vaga de protestos que abalou o país no último mês, enquanto sinalizava a existência de contactos com as autoridades iranianas.
Na semana passada, as autoridades iranianas anunciaram que pelo menos 3.117 pessoas morreram nos protestos, números contestados por organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos, que alegam estar em posse de números que confirmam uma dimensão muito superior.
O movimento de protesto, iniciado em 28 de dezembro contra o elevado custo de vida e desvalorização da moeda nacional, que levou a um apagão de comunicações sem precedentes em todo o país por ordem das autoridades, perdeu entretanto intensidade, mas as detenções prosseguem.
Pelo menos 41.880 pessoas foram detidas e 6.126 morreram, segundo os dados mais recentes da agência de notícias dos ativistas de Direitos Humanos, sediada nos Estados Unidos, que está a investigar dados relativos a outras eventuais 17 mil mortes.
Outra organização, a Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, registou 3.428 manifestantes mortos que conseguiu confirmar diretamente ou através de fontes no Irão, incluindo relatórios clínicos e de morgues, mas receia que o número total possa ultrapassar os 25.000.
A televisão estatal iraniana continua a transmitir interrogatórios de manifestantes, em "confissões" encenadas com o objetivo de esmagar a oposição, segundo os grupos de defesa dos direitos humanos, ao mesmo tempo que a tensão militar aumenta na região.
Segundo o jornal The New York Times, os serviços de informações norte-americanos asseguraram repetidamente a Donald Trump que o regime iraniano está a enfraquecer, estando mesmo no seu "ponto mais baixo" desde a fundação da República Islâmica em 1979.
O influente senador republicano norte-americano Lindsey Graham disse ao jornal que falou com o líder da Casa Branca nos últimos dias e que "o objetivo é derrubar o regime".
Do lado iraniano, Teerão confirmou que foi aberto um canal de comunicação com os Estados Unidos.
Leia Também: Teerão avisa países vizinhos que serão hostis se apoiarem ataque dos EUA













