Netanyahu admite "falha grave" no 7 de outubro mas rejeita traição
- 05/02/2026
"Houve uma falha grave ao nível das informações", afirmou Benjamin Netanyahu, que acusou o então chefe do serviço de segurança interna (Shin Bet), Ronen Bar --- cuja demissão foi duramente criticada pela oposição e considerada ilegal pelo Supremo Tribunal --- de falsificar as atas de uma reunião realizada no dia do ataque.
Em declarações à Comissão de Negócios Estrangeiros e Defesa do parlamento israelita (Knesset), Netanyahu disse, no entanto, esperar que fique esclarecida qualquer ideia de uma possível traição naquele dia, segundo noticiou o jornal The Times of Israel.
Em 07 de outubro de 2023, ataques liderados pelo Hamas no sul de Israel causaram cerca de 1.200 mortos e 251 pessoas foram levadas como reféns, desencadeando a guerra na Faixa de Gaza.
O chefe do Governo observou que ninguém imaginava, naquele dia, que o Hamas atacasse Israel, e citou várias conversas com altas figuras israelitas, incluindo Bar, bem como o ex-ministro da Defesa Benny Gantz e o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett.
Netanyahu afirmou que "todos pensavam que o Hamas tinha sido dissuadido" de realizar ofensivas contra Israel.
Na sessão no Knesset, os deputados do partido Yesh Atid (Há um futuro), liderado pelo ex-primeiro-ministro Yair Lapid, abandonaram a audição em protesto, argumentando que "não participarão neste circo mediático, que visa fugir à responsabilidade e transformar a comissão num espetáculo vazio de relações públicas".
Segundo acusou na rede social X o partido, que mantém a segunda maior bancada do parlamento, "Netanyahu chegou com mensagens pré-preparadas do seu gabinete numa tentativa desesperada de manipular a opinião pública e reescrever a história, mas nenhuma manobra retórica irá obscurecer o fracasso" das autoridades israelitas no 07 de outubro de 2023.
Netanyahu tem resistido à criação de uma comissão independente de investigação aos acontecimentos de 07 de outubro de 2023, alegando que a prioridade era derrotar o Hamas e afastar ameaças a Israel a partir da Faixa de Gaza, onde vigora desde 10 de outubro de 2025 um cessar-fogo.
Em novembro, o Supremo Tribunal solicitou explicações ao Governo sobre a criação de uma comissão que examinasse os acontecimentos "de forma independente, profissional e sem dependência" dos órgãos políticos.
No entanto, o Conselho de Ministros apenas anunciou a formação de um comité ministerial encarregado de examinar o mandato de um eventual órgão de inquérito e que, segundo o jornal The Jerusalem Post, apenas se reuniu uma vez desde a sua criação.
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