Nem Benfica, nem FC Porto. 'Tinoni' do Sporting não tem igual em Portugal
- 08/01/2026
Desde que Rui Borges chegou ao Sporting, há sensivelmente um ano, a situação clínica dos atuais bicampeões nacionais passou a viver dias ainda mais conturbados, ampliando um problema que já vinha da era Ruben Amorim.
Com base em dados recolhidos na plataforma Transfermakt, o Sporting posiciona-se como a equipa mais afetada por lesões ao longo do último ano, entre todas as que se encontram na I Liga, com 25 anotações de jogadores indisponíveis. Segue-se o Benfica na lista, com 21, até que surge o FC Porto, com 15.
No período analisado, há casos de jogadores que já transitaram de uma época para a outra com as respetivas lesões, sendo de realçar que, à partida para a presente temporada, Rui Borges e Bruno Lage partilhavam igualmente 12 dores de cabeça na liderança das suas equipas. Entretanto, os leões mostraram por que motivo rimam com lesões, somando já 13 registos em 2025/26, por comparação aos nove do seu rival eterno, agora comandado por José Mourinho.
| Clube | 2.ª metade de 2024/25 | 1.ª metade de 2025/26 | Total |
| Sporting | 12 | 13 | 25 |
| Benfica | 12 | 9 | 21 |
| FC Porto | 8 | 7 | 15 |
| Sporting de Braga | 9 | 6 | 15 |
| Vitória SC | 9 | 5 | 14 |
| Estrela da Amadora | 8 | 4 | 12 |
| Casa Pia | 5 | 7 | 12 |
| Gil Vicente | 7 | 4 | 11 |
| Nacional | 2 | 8 | 10 |
| AVS | 7 | 3 | 10 |
| Moreirense | 6 | 3 | 9 |
| Estoril | 3 | 6 | 9 |
| Rio Ave | 5 | 3 | 8 |
| Famalicão | 3 | 4 | 7 |
| Santa Clara | 3 | 3 | 6 |
| Arouca | 4 | 2 | 6 |
Neste capítulo, o FC Porto é, dos três, o dito 'grande' que menos stresses teve, quer na segunda metade da temporada passada (com oito jogadores a sofrerem lesões), quer na primeira metade da atual (com sete dores de cabeça para Francesco Farioli). Ao todo, foram 15 casos, tantos como o Sporting de Braga, num top5 que fecha com o Vitória SC (14) - todos eles com a particularidade de terem iniciado a temporada transata nas competições europeias.
Um a um no pódio
No Sporting, Daniel Bragança e Nuno Santos acabaram uma época lesionados e começaram outra... igualmente lesionados. À lista da época passada juntaram-se Gonçalo Inácio, Eduardo Quaresma, Jeremiah St. Juste, Matheus Reis, Morten Hjulmand, Geny Catamo, Viktor Gyokeres, Hidemasa Morita, Pedro Gonçalves e João Simões, sendo que estas últimos três tiveram complicações mais severas.
Já na presente época, os leões Rui Silva, Ousmane Diomande, Maxi Araújo, Ricardo Mangas, Hidemasa Morita, Geny Catamo, para além dos casos mais alarmantes de Zeno Debast, Pedro Gonçalves e Geovany Quenda e ainda das situações envolvendo Eduardo Quaresma e Fotis Ioannidis, os mais recentes percalços para Rui Borges, na derrota diante do Vitória SC (1-2), na luta pela final da Taça da Liga.
Também o Benfica teve uma dupla a transitar de uma temporada para a outra (e com a mesma lesão): Alexander Bah e Manu Silva. Também Tomás Araújo, Florentino Luís, Fredrik Aurnses, Andreas Schjelderup, Arthur Cabral, Zeki Amdouni, Gianluca Prestianni e Angél Di María desfalcaram as águias na segunda metade da época passada, sem esquecer casos mais longos, como os de Renato Sanches e Tiago Gouveia.
Já em 2025/26, às situações mais gritantes de Bruma e Dodi Lukebakio, juntam-se os nomes de Amar Dedic, António Silva, Enzo Barrenechea, Leandro Barreiro e Henrique Araújo, no plantel de José Mourinho.
Por fim, o FC Porto - líder destacado do campeonato português - é quem tem menos motivos para se queixar, tanto num período, como no outro. Marko Grujic foi o jogador que mais tempo esteve ausente, na segunda volta da época passada, sendo que também Diogo Costa, Iván Marcano, Francisco Moura, Wendell, Martim Fernandes, Pepê e Rodrigo Mora estiveram a contas com lesões.
Já na presente temporada, que arrancou sem qualquer lesionado do passado, Nehuén Pérez e Luuk de Jong figuram como os casos mais problemáticos, recordando, ainda, que Alberto Costa, Martim Fernandes, William Gomes, Pepê e Samu Aghehowa também já foram entraves para a estratégia de Francesco Farioli.
Rui Borges aponta "caso de estudo"
Rui Borges tem por hábito apoiar-se na velha lógica do "não joga um, joga outro" e, ao longo da sua trajetória no Sporting, já deu provas claras de como é possível reajustar e reinventar, entre as opções que tem à disposição.
No entanto, sem querer apontar tal cenário como "desculpa" para os insucessos, o treinador de 44 anos não hesitou, na passada terça-feira, em referir uma espécie de "caso de estudo" em torno das lesões que têm assombrado a turma de Alvalade ao longo dos últimos meses
"É difícil, é algo que parece caso de estudo. Hoje, pela primeira vez, sinto-o mais. Acredito também que a equipa sinta isso. É impossível, por mais que sejamos positivos e otimista, custa ver tanta gente de fora. Jamais servirá de desculpa", começou por dizer no final do encontro realizado em Leiria.
"Não foi a quantidade de lesões musculares que nos pôs os jogadores de fora. São coisas que não podemos controlar. A minha maior tristeza é sair daqui hoje com menos dois jogadores para o próximo jogo. Por mais que eu seja otimista, é impossível que eu não o sinta, assim como a equipa. São coisas traumáticas, não musculares", acrescentou de seguida.
Recorde-se que, por esta altura, Zeno Debast, Nuno Santos, Pedro Gonçalves, Ricardo Mangas, Geovany Quenda, Eduardo Quaresma e Fotis Ioannidis fazem parte do boletim clínico do Sporting.















