Negociações com delegação de Kyiv previstas para este sábado em Miami
- 16/01/2026
"As negociações terão lugar amanhã [sábado] em Miami, Florida, com a participação do secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional, Rustem Umerov, do chefe de gabinete da presidência, Kyrylo Budanov, e do líder do grupo parlamentar Servo do Povo, David Arakhamia", declarou Olga Stefanishyna na rede Facebook, sem especificar quem representará os Estados Unidos.
Anteriormente, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tinha manifestado hoje esperança de um acordo com Washington na próxima semana para pôr fim à guerra iniciada em fevereiro de 2022 com a invasão russa, ao anunciar a deslocação dos negociadores do seu país aos Estados Unidos.
Os enviados norte-americanos negoceiam separadamente com Kyiv e Moscovo há meses um acordo que visa pôr fim a quase quatro anos de conflito, mas as partes continuam separadas sobretudo em relação ao futuro dos territórios ocupados e as garantias de segurança a Kyiv para evitar uma nova agressão russa.
Esta ronda de contactos surge em plena nova vaga de ataques aéreos em grande escala da Rússia que levaram Zelensky a declarar o estado de emergência no setor energético do país, tendo hoje lamentado a escassez de mísseis antiaéreos ocidentais.
O líder ucraniano disse hoje esperar que nas próximas reuniões seja alcançada "mais clareza" sobre os documentos preparados com os enviados norte-americanos e a posição da Rússia em relação ao seu conteúdo.
"Se tudo estiver finalizado e se o lado americano der a sua aprovação (...), então uma assinatura durante o Fórum Económico Mundial em Davos será possível", acrescentou, a propósito do encontro a decorrer na próxima semana na Suíça.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, voltou a criticar esta semana Zelensky por estar a impedir uma solução pacífica para o conflito, e não o homólogo russo, Vladimir Putin, um gesto que o Kremlin comentou ter apreciado.
Na quinta-feira, Putin defendeu "a consolidação das condições que permitam alcançar, o mais depressa possível uma solução pacífica" para o conflito, durante uma cerimónia de acreditação de embaixadores no seu país, na qual deixou críticas aos países europeus e à liderança ucraniana.
"O nosso país aspira a uma paz duradoura e sólida que garanta de forma fiável a segurança de cada pessoa. No entanto, nem todos, incluindo Kyiv e as capitais que a apoiam, estão preparados", criticou, aludindo aos países europeus aliados da Ucrânia.
Até que outros países compreendam esta necessidade, Putin insistiu que a Rússia continuará a "perseguir os seus objetivos", reafirmando que a crise na Ucrânia é consequência do desrespeito "durante muitos anos" dos interesses de Moscovo e do incumprimento das potências ocidentais em honrar a sua "promessa pública" de não expandir a NATO para leste.
O Kremlin considerou entretanto "positiva" a manifestação de alguns países europeus, incluindo Itália e França, de retomar o diálogo com Moscovo, interrompido desde 2022.
"Se isto reflete realmente a visão estratégica dos europeus, é um desenvolvimento positivo na sua posição", comentou o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse porém que não tem "nenhuma intenção" de falar com o Presidente russo, conforme sugerido pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, e pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse hoje um porta-voz do executivo de Londres.
Volodymyr Zelensky observou hoje que a Ucrânia tem "a iniciativa nas negociações" e que estava a "avançar mais depressa do que a Rússia ", elogiando a cooperação com os Estados Unidos, apesar do desacordo "em certas questões" e das críticas de Trump.
Segundo Kyiv, mais de 15.000 funcionários do setor energético estão a trabalhar a temperaturas negativas para restaurar centrais elétricas e subestações danificadas por ataques aéreos russos que deixaram metade da capital ucraniana sem aquecimento e que levarão ao encerramento das escolas durante duas semanas a partir de segunda-feira.
"A Rússia está a apostar que nos pode derrotar", disse hoje o ministro da Energia, Denys Shmygal, no parlamento na sexta-feira, enquanto a primeira-ministra, Yulia Svyrydenko, reconheceu que o Governo só tinha combustível suficiente para 20 dias.
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