"Necessário". Bad Bunny pede paz diante de um Trump irado em Barcelona
- 15/02/2026
O cantor Bad Bunny e o presidente norte-americano, Donald Trump, voltaram a agraciar as luzes da ribalta – pelo menos em Barcelona. Pela mão do artista Alberto León, um mural retrata o porto-riquenho durante a sua atuação no intervalo do Super Bowl, surgindo de mãos dadas com uma criança de cinco anos que muitos associaram ao menino detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), em Minneapolis. Ligeiramente atrás está Trump, irado e de mãos abertas.
O magnata, cujas cores escuras contrastam com o branco dos restantes intervenientes, é embelezado por dois pombos cinzentos, pousados na cabeça e no ombro. Bad Bunny e a criança, por seu turno, surgem rodeados por pombas brancas. Se o cantor empunha uma bola de futebol americano em que se lê "Juntos somos a América", o menino abraça um Grammy.
É que, recorde-se, o porto-riquenho fez história ao vencer o Grammy de Álbum do Ano, com "Debí Tirar Más Fotos". Como se não bastasse, acumulou outros cinco galardões na cerimónia, que aconteceu a 1 de fevereiro de 2026. Já durante a sua atuação no intervalo do Super Bowl, o artista ofereceu um dos prémios a um menino de cinco anos parecido com o menor que havia sido detido com o pai, em Minneapolis. Contudo, não se tratava de Liam Ramos, mas sim do ator Lincoln Fox.
Denominado "America", o mural está na rua Sotstinent Navarro, ao lado da Via Laietana, na capital catalã. O artista pretendia enaltecer a mensagem veiculada por Bad Bunny no domingo passado, enquanto símbolo de paz contra as políticas de imigração de Trump: "A única coisa mais poderosa do que o medo é o amor."
"Era uma mensagem necessária que queria que estivesse nas ruas, e que melhor lugar para me expressar do que o centro de Barcelona, onde há muito turismo e muitas comunidades latinas", explicou León, em declarações à agência EFE.
O artista tinha também como objetivo salientar que, tal como transmitido pelo porto-riquenho, a América não é sinónimo de Estados Unidos.
"America"© albertoleon_art
Ainda assim, León confessou que a mensagem tem uma camada pessoal, uma vez que é natural de Tenerife e toda a sua família emigrou. Identifica-se, por isso, com a rejeição levada a cabo pela administração dos Estados Unidos.
Note-se que o presidente norte-americano não poupou as críticas ao espetáculo de Bad Bunny, que considerou ter sido "absolutamente terrível, um dos piores de sempre".
"Não faz sentido, é uma afronta à grandeza da América e não representa os nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência. Ninguém entende uma palavra do que este tipo está a dizer, e a dança é repugnante, especialmente para as crianças pequenas que estão a assistir em todos os Estados Unidos e em todo o mundo", escreveu, na Truth Social.
E complementou: "Este 'espetáculo' é apenas uma chapada na cara do nosso país, que está a estabelecer novos padrões e recordes todos os dias. [...] Não há nada de inspirador nesta confusão de espetáculo e, vejam só, ele receberá ótimas críticas das media de notícias falsas, porque não têm a menor ideia do que está a acontecer no MUNDO REAL."
Congressistas republicanos também se mostraram ofendidos. Isto porque, na terça-feira, pediram ao regulador dos media nos Estados Unidos para que multasse e detivesse o porto-riquenho e os executivos da NFL e da NBC, acusando o espetáculo do Super Bowl de incluir palavrões e "depravação indizível".
Veja o vídeo na galeria acima.














