"Não quero romper com a Constituição. Quero romper com a corrupção"
- 10/01/2026
Após as declarações do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, que acusou Ventura de querer romper com a Constituição da República Portuguesa (CRP), o candidato presidencial disse aos jornalistas que não tem intenção de a rasgar, apesar de não concordar "com muitas coisas" que a lei fundamental tem.
"Eu não quero romper com a Constituição. Eu quero romper com a corrupção", afirmou o também presidente do Chega, que falava antes de uma arruada na Guarda.
Para o candidato presidencial, o PS está a tentar "meter medo ao país", acreditando que essa estratégia irá "aumentar nos próximos dias".
"Nos próximos dias, à medida que se vê que o apoio popular é cada vez maior e que se vê que as sondagens me colocam em primeiro lugar, isto vai continuar", afirmou, vincando que, apesar de não concordar "com muita coisa da Constituição", não pretende romper com a CRP.
Apesar disso e após ser questionado sobre propostas passadas do Chega que foram consideradas inconstitucionais como foi o caso da proibição de financiamento à construção de mesquitas, Ventura voltou a defender essa proposta.
"Eu acho que é importante voltarmos a medidas para acabar com a islamização da Europa e do que está a acontecer pela Europa toda. Acho que é importante nós controlarmos e criminalizarmos o enriquecimento ilícito, mesmo que isso seja entendido como inconstitucional", vincou o candidato a Presidente, cargo que tem como dever defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição.
Para Ventura, "se é inconstitucional tirar a nacionalidade a quem comete crimes, se é inconstitucional que quem vem para cá vive não possa viver de subsídios, se é inconstitucional que o enriquecimento ilícito seja criminalizado, se é inconstitucional tirar dinheiro público para financiar mesquitas, se tudo é inconstitucional não se pode fazer nada".
Perante isso, entendeu que o que lhe interessa "é levar o povo português para a frente e estar de acordo com esse povo português".
"Não é com nenhum texto", sublinhou.
O candidato afirmou que uma coisa é discordar da atual redação da Constituição e outra é a intenção de romper com o documento e o seu espírito.
"Isso é falso e o PS sabe que isso é falso. Está a querer pôr medo às pessoas", disse.
Após as declarações, André Ventura percorreu, juntamente com a mulher e alguns deputados do partido, as ruas do centro da cidade da Guarda, praticamente desertas. Os dois graus que se faziam sentir levaram Ventura a entrar num café e a "quebrar a dieta" com um chocolate.
Foi lá que encontrou uma apoiante brasileira: "Eu tive três ídolos na vida: o Roberto Carlos, Jair Bolsonaro e você. Que bom te conhecer, porque os outros dois eu já consegui", disse.
Sobre o cantor brasileiro, Ventura não teceu comentários por não ser "um conhecedor profundo de música". Já sobre o que achava de estar na mesma lista que Jair Bolsonaro, - condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado -, o candidato disse ter "muito orgulho de estar na lista de todos os que querem lutar contra Lula da Silva".
Interrogado sobre o facto de uma parte do seu eleitorado o preferir como primeiro-ministro, Ventura rejeitou que isso o possa prejudicar, uma vez que se propõe a ser um chefe de Estado "mais interventivo".
Já sobre o futuro da liderança do Chega, caso seja eleito para Belém, o candidato salientou que "não há ninguém insubstituível" e que o partido tem "nos jovens e nos menos jovens o talento e a qualidade" para quando chegar "o momento pós-André Ventura".
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