Na Hungria, os piaçabas tornaram-se um símbolo de protesto
- 04/02/2026
Mais de mil manifestantes, incluindo muitos da comunidade cigana da Hungria, realizaram um protesto em Budapeste, durante o fim de semana, a exigir a demissão do ministro dos Transportes por comentários considerados xenófobos e iam munidos de... piaçabas.
Os manifestantes reuniram-se em frente ao escritório de János Lázár, um ministro importante no governo populista de direita de Viktor Orbán. Exigiam um pedido de desculpas de Lázár pelos comentários, bem como a sua renúncia ao cargo.
Em causa estão os comentários feitos pelo politico, durante um fórum comunitário no início do ano, em que se referia à comunidade cigana como uma "reserva" de mão de obra que poderia ajudar a aliviar a escassez de trabalhadores, ao fazerem trabalhos considerados indesejáveis.
"Se não houver imigrantes e alguém tiver de limpar as casas de banho nos comboios suburbanos, então teremos de recorrer às nossas reservas internas", disse Lázár, referindo-se à forte oposição da Hungria à imigração. "Os eleitores húngaros não comparecem com grande entusiasmo para limpar as casas de banho de outras pessoas, então a reserva interna na Hungria são os ciganos. Essa é a realidade" referiu.
Os comentários de Lázár provocaram uma forte reação negativa e aumentaram as preocupações dentro do próprio governo de que poderiam desiludir os eleitores ciganos, geralmente um bloco eleitoral confiável para o partido Fidesz de Orbán, a apenas 10 semanas das eleições, marcadas para 12 de abril.
Alguns líderes e celebridades da comunidade cigana mais proeminentes expressaram a sua indignação, e um grupo de ativistas e manifestantes ciganos interrompeu outro fórum realizado por Lázár, exigindo a sua demissão.
Um deputado do parlamento húngaro, do partido Momentum Movement, e de origem cigana, fez mesmo um vídeo a dar conta de uma resposta ao ministro, em que é visto a depositar vários piaçabas em frente ao gabinete do ministro.
"As palavras têm consequências. Um ministro não deve falar sobre as pessoas de forma pejorativa, com estigma, sem consequências", pode ler-se na publicação.
O ministro já emitiu, entretanto, um pedido desculpas público, mas alega que as suas declarações foram mal interpretadas.
"Infelizmente, sempre nos fizeram sentir como se fôssemos cidadãos de segunda classe", disse um manifestante membro da comunidade cigana que viajou do sul da Hungria para participar do protesto, e continuou: "Desempenhamos o nosso papel nas guerras mundiais, nas revoluções, na construção do país. Mas sempre fomos humilhados".
Os comentários "ofenderam profundamente o patriotismo" dos ciganos da Hungria", acrescentou.
A população cigana da Hungria, que algumas estimativas apontam para seja de cerca de 1 milhão de habitantes, representando mais de 10% do total do país, constitui a maior, porém mais marginalizada, minoria étnica. Os ciganos tradicionalmente enfrentam pobreza , discriminação e segregação.
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