Na devastada Praia da Vieira limpam-se destroços e chora-se o isolamento

  • 29/01/2026

"Pensei que era o fim do mundo", admite Sandra Moreira, 50 anos, enquanto limpa os destroços deixados pela passagem da depressão Kristin na casa da família.

 

"Foram três horas de horror, barulho por todo o lado, telhas a voar, coisas a partirem-se e o meu filho encostado à porta da rua para impedir que ela se abrisse com a força do vento", conta à Lusa.

Na casa, que ficou sem telhado, "chove agora como na rua e o primeiro andar já está cheio de água", queixa-se, temendo que "louças, cobertores, tudo o que aqui está fique perdido", a juntar à "marquise toda partida, duas churrasqueiras, um ar condicionado que voou e um muro que se partiu".

Se para esta moradora os prejuízos podem chegar "aos 15 ou 16 mil euros", na frente de mar, onde todos os restaurantes e bares ficaram destruídos, é ainda muito difícil fazer contas ao que se perdeu.

Na Marisqueira Flor do Lis, desapareceu parte do telhado, partiram-se vidros das portas e janelas, " no primeiro andar andou tudo pelo ar e ficou tudo partido", afirma Júlio Gomes, de 36 anos.

"A esplanada ficou completamente destruída", diz, apontando para uma estrutura de apoio, em madeira, que "ficou deitada no chão", ao lado de pilhas de vidro, metal e toldos que o gerente tenta agora limpar.

Convicto de que "80% da marisqueira terá que se refeita", Júlio junta aos prejuízos os custos com "parte do recheio e tudo o que está nas arcas congeladoras e que se vai perder" porque, desde a madrugada de quarta-feira não há eletricidade, água ou comunicações. Em risco estão ainda os postos de trabalho de sete funcionários.

Na mesma rua, há estabelecimentos que são "praticamente perda total" e outros, como a Marisqueira do casal Vanda Francisco e Cláudio Cabral, onde os estragos se ficaram "pelo telhado e vidros", sendo menores os danos no interior do edifício.

Mas, também aqui, "se a luz não vier até amanhã [sexta-feira], o prejuízo com o marisco, peixe e picanha nas arcas, vai chegar aos 10 mil euros", diz o casal.

Dos bares da Avenida 25 de Abril ninguém conseguiu resistir à tempestade e hoje alguns proprietários limpam os destroços.

Junto ao Sun 7 esplanada, vê-se muita gente "à procura de rede de telemóvel, porque é o único sítio em que se apanha um risquinho", contam à Lusa.

No local, Liliana Fagundes, auxiliar no jardim de infância da Praia da Vieira, não esconde o medo de que "venha outra tempestade como esta", que destruiu por completo o seu local de trabalho.

O jardim de infância "ficou sem porta, as janelas voaram e o interior está todo destruído" conta, receando que "durante muito tempo as crianças não vão poder voltar, nem as da escola primária, que também tem muitos danos".

Difícil, nesta praia, é encontrar um local sem danos, uma casa com todas as telhas, uma loja sem vidros partidos e uma rua onde não sejam visíveis cacos de telhas e vidros, restos de placares publicitários ou toldos arrastados pelo vento.

Mais afastada do mar, a vizinha localidade de Vieira de Leiria é outros dos locais onde os efeitos da depressão Kristin estão por todo o lado.

Na Escola Básica 2 Padre Franklin, a cobertura foi completamente arrancada, provocando estragos em cerca de 20 carros que ali estavam estacionados.

Quatro eram da família de António Pedrosa, de 70 anos. "No da minha cunhada não ficou um vidro inteiro", lamenta, apontando para os estragos na frota familiar. A filha "teve que ir hoje trabalhar para Leiria no carro com os vidros partidos", acrescenta a mulher.

Eucaliptos derrubados, chaminés partidas, cabos telefónicos no chão, telhados sem parte das telhas são o cenário que se encontra ao entrar na vila onde, hoje, a farmácia reabriu e duas superfícies comerciais também, embora só aceitem pagamentos em dinheiro. O problema é que "o multibanco não funciona", queixam-se os moradores.

Idília Monteiro, de 73 anos, não consegue conter as lágrimas, enquanto varre os vidros partidos da casa que ficou também sem parte das telhas que "agora já nem se conseguem comprar, nem há empreiteiros para vir fazer a reparação".

No percurso que liga a Marinha Grande a estas localidades, há quem trabalhe para conseguir limpar as estradas onde tombaram centenas de árvores, muitas das quais vão sendo retiradas para reabrir as vias de comunicação.

Três funcionários de uma empresa labutam, debaixo de chuva, para "colocar em segurança" uma antena de telecomunicações que caiu sobre as árvores da Mata Nacional.

Porém, "primeiro é preciso colocá-la toda no chão e só depois é que serão feitas as reparações para voltar a haver rede", dizem à Lusa.

Quando? É a grande incógnita com que se debatem estas populações, isoladas, sem forma de contactar familiares, sem água, sem eletricidade e sem comunicações.

E sobretudo, "sem ninguém da Câmara, da Proteção Civil ou de qualquer outro organismo que venha aqui prestar auxílio", queixam os moradores.

Leia Também: Mau tempo: Novo Banco lança linhas de crédito de 100 milhões

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/pais/2928815/na-devastada-praia-da-vieira-limpam-se-destrocos-e-chora-se-o-isolamento#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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