Museu leva Vieira da Silva a Macau e recebe Rui Sanches em Lisboa
- 03/02/2026
Organizado em três ciclos, o programa expositivo em Lisboa irá ainda receber exposições, entre outros artistas, de Teresa Segurado Pavão, Frida Baranek, Vasco Futscher, Carlos Noronha Feio, Mariana Caló e Francisco Queimadela, segundo a programação hoje divulgada.
Contactado pela agência Lusa, o diretor tutelado pela fundação com o mesmo nome sublinhou que o novo programa irá continuar a valorizar a obra dos artistas fundadores e a promover o diálogo com a criação contemporânea, a par da aposta na circulação internacional da coleção "rica, ampla e diversa" da instituição.
O primeiro ciclo expositivo, que abre a 10 de fevereiro, inclui a exposição "Arpad Szenes e Vieira da Silva: núcleos da coleção", reunindo obras fundamentais dos dois artistas, "organizadas numa leitura diacrónica e temática que evidencia a evolução e as principais linhas das suas produções".
No mesmo período, será apresentada "Ensaios em Imobilidade e Movimento Secreto", que junta esculturas de Rui Sanches e Teresa Segurado Pavão, numa colaboração inédita entre os dois artistas.
"São dois artistas que têm esta feliz coincidência - como a Vieira da Silva e o Arpad Szenes -- de serem um casal, Rui Sanches dedicado à escultura e ao desenho, e Teresa Pavão à cerâmica e ao têxtil", apontou Nuno Faria, salientando que, segundo os autores convidados, "esta parceria inédita a quatro mãos será irrepetível".
A exposição reúne esculturas de parede que cruzam madeira e cerâmica, propondo uma abordagem contemporânea ao género da natureza-morta, descreveu Nuno Faria, que assumiu a direção do museu no início de 2024, na sequência de um concurso internacional.
Integram ainda o primeiro ciclo a exposição "Desafios/Defiances", da escultora brasileira Frida Baranek, composta por esculturas de parede, suspensas e no chão, nas quais a artista trabalha materiais associados à construção e à arquitetura, explorando a relação entre corpo, escala e perceção espacial.
"Broken Mile", de Vasco Futscher, com peças cerâmicas situadas entre a escultura e a pintura, que cruzam referências da arquitetura, das artes decorativas e da história da arte, entra também neste ciclo.
Questionado sobre o plano de internacionalização, Nuno Faria indicou que a fundação prepara uma grande exposição dedicada a Vieira da Silva no Museu de Arte de Macau, construída a partir de obras da coleção da instituição, integrando-se "num contexto de crescente interesse internacional pela artista".
"Fomos desafiados pelos nossos parceiros para fazer em Macau uma exposição ampla com obras da nossa coleção e de outras coleções, e estamos a trabalhar nessa mostra, que acontecerá no final do ano e coincidirá com a antológica de Arpad Szenes em Lisboa", avançou o responsável.
De acordo com Nuno Faria, as recentes exposições da obra de Maria Helena Vieira da Silva "suscitaram um muito visível interesse na exposição retrospetiva no Museu Guggenheim em Bilbau, que veio lançar uma nova luz" sobre a obra da artista portuguesa.
"Esta será a primeira grande exposição da Vieira [da Silva] na China", vincou o diretor do museu inaugurado em 1994 na antiga Fábrica das Sedas, nas Amoreiras, em Lisboa, na sequência da constituição da Fundação Arpad Szenes --- Vieira da Silva, em 1990, destinada a acolher e divulgar o espólio dos dois pintores.
Está igualmente prevista a apresentação na Embaixada de Portugal, em Haia, nos Países Baixos, de uma exposição dedicada à obra gráfica de Vieira da Silva, reunindo um núcleo significativo da coleção da fundação.
O segundo ciclo expositivo do museu, entre 21 de maio e 13 de setembro, inclui uma nova apresentação dos núcleos da coleção de Arpad Szenes e Vieira da Silva, aprofundando a leitura da obra, e uma exposição dedicada a Lourdes Castro (1930-2022), com desenhos iniciais inéditos, obras e documentação das décadas de 1950 e 1960, desenvolvida em parceria com o MUDAS - Museu de Arte Contemporânea da Madeira.
O projeto revisita o período inicial da produção da artista madeirense, e evidencia as ligações pessoais e artísticas que manteve com Vieira da Silva e Arpad Szenes.
Integram igualmente este ciclo a exposição "Da Capo", de João Paulo Feliciano, reunindo pinturas recentes em diálogo com obras iniciais influenciadas pela linguagem pictórica de Vieira da Silva, e "Reflexo de adorar", de Mariana Caló e Francisco Queimadela, com instalações que utilizam projeções de luz sobre tecidos de seda, criando ambientes imersivos que cruzam pintura, cinema e instalação.
Está ainda prevista uma exposição de Carlos Noronha Feio, composta por obras que articulam imagem impressa sobre seda e luz, desenvolvidas a partir de investigação sobre a coleção e o arquivo da fundação.
O terceiro ciclo será dedicado quase integralmente a uma exposição antológica da obra de Arpad Szenes (1897-1985), baseada em investigação aprofundada sobre a sua produção pictórica e gráfica, com o objetivo de apresentar novas leituras do trabalho do artista e promover a circulação internacional do projeto.
"Essa é talvez a exposição mais desafiante que vamos fazer este ano", avaliou o diretor do museu à Lusa, avançando que será dedicada a totalidade do espaço do museu a Arpad Szenes.
A exposição antológica "vai dar oportunidade ao público de revisitar a obra de Arpad Szenes, que ao longo do ano passado suscitou muita curiosidade dos visitantes do museu, e será uma forma de olhar em extensão para os seus primeiros trabalhos até aos finais", acrescentou.
Ainda em datas a definir, está também prevista para este ano uma exibição da obra gráfica de Vieira da Silva nos Açores.
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