MP abre inquérito à morte de grávida e bebé em hospital dos Açores
- 17/02/2026
O Ministério Público (MP) abriu um inquérito à morte de uma grávida de 34 anos e da filha bebé no Hospital da Horta, na ilha do Faial, Açores.
De acordo com a Antena 1 Açores, que avança com a notícia, o objetivo é apurar se as mortes estão relacionadas com uma quebra de protocolos hospitalares e eventual negligência, uma informação que o Notícias ao Minuto já está também a tentar apurar.
As mortes ocorreram há precisamente uma semana, na madrugada de terça-feira, 10 de fevereiro.
Ângela iniciava o trabalho de parto quando se sentiu mal. A enfermeira que a assistia na altura terá saído do quarto para ir buscar um saco para enjoos e, quando regressou, a grávida já não apresentava sinais de vida.
Segundo a RTP-Açores, tudo indica que Ângela terá tido uma paragem cardiorrespiratória. Porém, só as autópsias, que se realizaram na tarde de segunda-feira, depois de vários adiamentos, poderão confirmar as causas dos óbitos.
O funeral de mãe e filha realiza-se na manhã desta terça-feira, 17 de fevereiro, na ilha do Pico, de onde Ângela era natural.
O caso tem gerado muita consternação nos Açores. Ângela era uma jovem ativa e sociável, de apenas 34 anos. Tinha tido a primeira filha há quatro anos e preparava-se agora para dar à luz a segunda menina.
Duas semanas antes, tinha perdido a mãe, vítima de um cancro. Por já estar no fim da gravidez e no Faial - onde se localiza a unidade de obstetrícia mais perto do Pico -, os médicos não a aconselharam a fazer a viagem para assistir ao funeral da progenitora.
O que não se esperava é que Ângela acabasse por morrer, assim como a filha bebé, quando dava início ao trabalho de parto.
Ainda segundo a RTP-Açores, os médicos e enfermeiros ainda a tentaram reanimar, mas sem sucesso. A atenção virou-se depois para a bebé, que se encontrava na barriga da mãe. Mas "a posição do feto" não terá ajudado o parto, que foi realizado através de cesariana.
Quando finalmente tiraram a menina, esta também já estava morta.
O caso gerou grande perplexidade tanto entre a classe médica como entre os familiares e amigos de Ângela. Nas redes sociais, são muitos os que lamentam tamanha perda e deixam palavras de força e carinho à família.
Nos comentários às notícias da morte de Ângela há também muitos desabafos a propósito deste caso, que vem levantar de novo questões relacionadas com os meios de saúde da região.
O Notícias ao Minuto entrou em contacto com o Hospital da Horta para pedir esclarecimentos sobre o caso, tendo nomeadamente questionado quanto tempo esteve a grávida sem prestação de cuidados desde que se sentiu mal, mas, até ao momento, não obteve resposta às perguntas efetuadas.














