Movimento Cívico TVDE sobre protesto. "Temos um feedback positivo"
- 23/01/2026
"Amanhã [sábado e último dia do protesto] temos um encontro com os motoristas, como foi no arranque [segunda-feira], para conversarmos todos e ver como correu. Agora não me sinto à vontade para tirar um balanço positivo até porque ainda não terminou", disse Fernando Vilhais, em declarações à agência Lusa.
O Movimento Cívico lançou uma iniciativa de protesto contra a falta de regulação do setor que consiste em os motoristas TVDE desligarem as aplicações das plataformas Uber e Bolt, alternadamente, durante esta semana, nas horas de ponta matinais.
A iniciativa teve início na segunda-feira e decorre até sábado no período entre as 07h00 e as 10h00, com os motoristas de TVDE (transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica) a desligarem a Uber na segunda-feira, quarta-feira e sexta-feira e a Bolt na terça-feira, quinta-feira e sábado.
"Temos um 'feedback' positivo" do protesto, disse o responsável, lembrando que o setor trata de "uma comunidade muito grande que mobiliza pessoas em situações muito diferentes", e reconhecendo, igualmente, que a informação do protesto pode não ter chegado a muitos motoristas.
No entanto, Fernando Vilhais lembrou que a ação pretendia também alertar a sociedade para a situação que o setor vive e para a necessidade de revisão da lei.
No primeiro dia de protesto, o responsável disse à Lusa estar satisfeito com a adesão, lembrando na altura a dimensão do setor: "estamos num mercado muito grande, estamos a falar de (...) cerca de 38 a 39 mil motoristas que trabalham por mês nesta atividade. É lógico que (...) trabalham em horários diferenciados, mas pelo menos o impacto para o primeiro dia foi visível".
Afirmando que o primeiro impacto da iniciativa foi positivo, Fernando Vilhais explicou na altura que o Movimento pretendia "agregar cada vez mais pessoas para chegar ao final da semana com o impacto mais visível".
Numa resposta à Lusa, a plataforma Bolt disse que, "ao longo desta semana, as operações da Bolt decorreram com normalidade", não se tendo registado "alterações relevantes, nem ao nível da procura nem no número de motoristas ativos".
Também a Uber reconheceu à Lusa que os seus serviços "estiveram a funcionar dentro da normalidade, ao longo de toda a semana", lembrando que "todos os motoristas que usam a aplicação da Uber podem decidir livremente quando, onde e de que forma a querem utilizar".
"Mantemos um diálogo regular com motoristas e parceiros de frota, com o objetivo de ouvir as suas preocupações e melhorar continuamente a experiência na plataforma", referiu a Uber numa resposta à Lusa.
Esta é a primeira ação de protesto do Movimento Cívico Somos TVDE, criado em outubro de 2025 e que pretende agregar todos os motoristas de TVDE, em particular os 80% que trabalham de forma independente, expôs Fernando Vilhais.
Descartando a pretensão de o movimento, que "ainda é relativamente pequeno", querer constituir-se como associação do setor de TVDE, o coordenador disse que a ideia é "acrescentar valor" às duas associações já existentes, a Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD) e a Associação Nacional Movimento -- TVDE (ANM-TVDE), "para que a causa comum ganhe maior expressão dentro da sociedade".
Num primeiro contacto, tanto a Uber como a Bolt avançaram à Lusa respeitarem o direito ao protesto dos motoristas TVDE agendado para esta semana.
De acordo com dados mais atualizados da plataforma do Instituto da Mobilidade e dos Transportes, existiam em dezembro 38.597 motoristas ativos e um universo de 36.463 veículos.
[Notícia atualizada às 18h51]
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