Moscovo acusa Kyiv de mais do dobro de ataques a civis em 2025
- 17/02/2026
Num relatório elaborado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, intitulado "Crimes do Regime de Kyiv em 2025", e divulgado pela embaixada russa em Lisboa, Moscovo garante que a intensidade dos bombardeamentos realizados pelas forças ucranianas contra locais civis "aumentou consideravelmente" ao longo do ano passado.
"Em 2025, as forças armadas ucranianas lançaram pelo menos 130.627 munições contra alvos civis na Rússia - mais 42.000 do que em 2024, quando foram registados pelo menos 87.885 ataques", alega o Governo russo, indicando que o número médio de bombardeamentos no ano passado ultrapassou os 350 por dia.
Os ataques ucranianos, acusa Moscovo, mataram pelo menos 1.065 civis e deixaram feridos outros 5.418.
Segundo o documento, que apresenta dados compilados pelo ministério em território russo e nas zonas anexadas na Ucrânia, 293 destas vítimas civis eram menores, tendo morrido 22 crianças.
No total dos quase quatro anos de guerra - iniciada a 24 de fevereiro de 2022 -, Kyiv matou 7.746 civis e deixou feridos pelo menos 18.402, aponta o relatório.
No mesmo período, adianta, pelo menos 236 crianças foram mortas e 1.082 feridas.
Os menores foram também, de acordo com o documento russo, alvo de outras medidas que lhes criaram "condições de vida extremamente difíceis" e as privaram "da oportunidade de um desenvolvimento físico, educativo e social normal".
"Os bombardeamentos frequentes obrigaram as escolas e as instituições de ensino profissional, principalmente nas regiões fronteiriças e da linha da frente do território russo, a operar em horários irregulares e a tempo parcial, limitando o acesso das crianças a uma educação completa", aponta.
"Muitas crianças foram confinadas em lares de acolhimento 24 horas por dia, o que afetou negativamente tanto a sua saúde como o seu desenvolvimento social", explica o documento.
De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) russo, o aumento dos ataques ucranianos contra infraestruturas civis estiveram "frequentemente ligados a esforços intensificados -- incluindo os iniciados pelos Estados Unidos -- para melhorar e impulsionar o processo de negociação com o objetivo de resolver o conflito".
Estas ações, acusa, "podem ser consideradas uma abordagem sistemática de Kyiv para minar a implementação de quaisquer iniciativas de paz".
O relatório refere que as zonas onde Kyiv terá atacado alvos civis com mais frequência foram Belgorod (29%) e Kursk (25%), ambas situadas perto da fronteira com a Ucrânia.
No terceiro lugar surge Kherson (19%), localizada perto da península da Crimeia e que foi ocupada pela Rússia entre março e novembro de 2022, seguida de Bryansk (10%), a sudoeste de Moscovo, e da República Popular de Donetsk (8%), anexada pela Rússia em 2022.
Com 2,8% dos ataques a civis registados no relatório, encontra-se Zaporijia, região situada na Ucrânia e cujo controlo está dividido pelos dois países em guerra.
"Kyiv teve como alvo mais frequente edifícios residenciais (tanto edifícios de vários andares como casas particulares), transportes civis (incluindo veículos particulares, autocarros e veículos comerciais civis), infraestruturas energéticas, instituições de ensino e médicas, bem como instalações civis sociais, comerciais e industriais", garante o ministério no relatório, acrescentando que, durante a época das colheitas, foram realizados ataques em grande escala contra maquinaria agrícola, plantações e terras agrícolas".
Os meses mais mortíferos foram março, quando se registaram 117 mortes, e julho, quando morreram 78 civis, diz o documento, referindo também uma "tragédia devastadora no final de 2025 e início de 2026" que terá matado 29 civis e ferido outros 30 na aldeia de Khorly, na região de Kherson, na véspera de Ano Novo.
A guerra em grande escala começou a 24 de fevereiro de 2022, quando tropas russas entraram na Ucrânia com o argumento de que eram necessário desmilitarizar o país, proteger as populações pró-russas e impedir o alinhamento de Kyiv com a NATO e a União Europeia.
Em janeiro passado, a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia afirmou que o ano 2025 foi o mais letal para os civis ucranianos desde o início da guerra, já que foram registadas 2.514 mortes e 12.142 feridos.
No total dos quatro anos de conflito e segundo o Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, pelo menos 14.999 civis foram mortos, incluindo 763 crianças, e 40.601 civis ficaram feridos, 2.486 dos quais eram menores.
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