Morre aos 93 anos juiz do Supremo e escritor Rodrigo Leal de Carvalho
- 26/01/2026
Num comunicado publicado no portal oficial do STJ no sábado, a instituição demonstrou "pesar e consternação" pela morte do juiz conselheiro jubilado e enviou "sentidas condolências" à família de Leal de Carvalho.
Nascido na Praia da Vitória, na ilha Terceira, Açores, em 1932, Leal de Carvalho formou-se em Direito na Universidade de Lisboa, em 1956, ingressando de seguida na magistratura.
O juiz começou por trabalhar como delegado-interino na ilha do Pico, mas em 1959 foi para Macau, onde viria a viver boa parte da vida, com passagens por Lisboa e pelas então colónias da Guiné, Angola e Moçambique.
Já depois da Revolução de 25 de Abril, Leal de Carvalho regressou mais uma vez a Macau, em 1976, como Procurador da República.
Em 1995 foi nomeado juiz conselheiro do STJ e, no ano seguinte, liderou a comissão que organizou as últimas eleições para a Assembleia Legislativa de Macau sob administração portuguesa.
Também em 1996 tornou-se Presidente do Tribunal de Contas de Macau, posto que ocupou até às vésperas da transferência da administração da região para a China, em 1999.
Como líder do Tribunal de Contas de Macau, foi em 1998 agraciado com a Medalha de Valor, por decisão do então presidente Jorge Sampaio.
Foi também em Macau que Leal de Carvalho se estreou como romancista, em 1993, com a publicação de "Requiem por Irina Ostrakoff", livro que lhe valeu o prémio do Instituto Português do Oriente, no ano seguinte, e que acabou por ser traduzido para chinês, em 1999, e para búlgaro, em 2002.
Seguiram-se os romances "Os Construtores do Império" (1994), "A IV Cruzada" (1996), "Ao Serviço de Sua Majestade" (1996) e "O Senhor Conde e as suas Três Mulheres (1999)".
Já regressado a Portugal, o juiz continuou a escrever sobre a região chinesa, nomeadamente em "A Mãe" (2000), onde narra a vida de Natasha Korbachenko, nascida na Sibéria, que a revolução bolchevista fez fugir para Xangai e que no pós-guerra do Pacífico acaba por se refugiar em Macau.
Leal de Carvalho publicou ainda "O Romance de Yolanda" (2005), a história de uma macaense que aceita casar-se com um milionário filipino perseguido pela polícia para este obter nacionalidade portuguesa.
O último livro foi "As Rosas Brancas de Surrey" (2007), que tem como palco o "conturbado período da Revolução Cultural", nos anos 60, em Macau, disse na altura o diário de língua portuguesa Ponto Final.
Este romance integrou uma parceria lançada pelo Ponto Final e pela editora Livros do Oriente para assinalar os cinco anos da transição de administração de Macau.
"Com a recriação de ambientes e experiências vividas em mais de 30 anos no território, Rodrigo Leal de Carvalho afirmou-se como um escritor das memórias da cidade de Macau e do universo do funcionalismo português nas colónias ultramarinas das décadas de 1950 e 1960, sempre enquadradas na conjuntura mundial do século XX", destacou o STJ.
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