Montenegro cerra fileiras na Saúde: Ministra não sai e INEM reforçado
- 08/01/2026
Nos últimos meses, a Saúde tem sido um tema em destaque na atualidade nacional, desde logo pela falta de médicos, partos em ambulâncias e demissões de administrações hospitalares. No entanto, esta semana, o tema voltou-se para a falta de de ambulâncias para socorro urgente, que, alegadamente, culminou na morte de três pessoas em três dias.
No primeiro debate quinzenal de 2026, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, começou por lamentar as mortes ocorridas, assumindo a responsabilidade do sucedido. Anunciou ainda que que foi aprovada a aquisição de 275 novas viaturas para o INEM e descartou a hipótese da demissão da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, assumindo responsabilidades sobre a crise na Saúde.
Afinal, o que disse Luís Montenegro?
Ministra da Saúde não sai: "Problemas não se resolvem com demissões"
O primeiro-ministro garantiu que a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, vai continuar no Governo, depois de o Chega ter acusado Ana Paula Martins de incompetência após a morte de três pessoas alegadamente por atrasos na assistência médica.
"Os problemas da saúde não se resolvem com demissões nem com jogadas políticas e politico-partidárias. Resolvem-se com convicção, com competência, com insistência, com resiliência, e é para isso que este Governo, este primeiro-ministro e a ministra da Saúde estão no Governo e vão continuar no Governo", afirmou.
Referiu ainda que o executivo que lidera está "a resolver os problemas estruturais da saúde, a reforçar os meios disponíveis, a tomar as medidas legislativas que conferem maior capacidade de gestão, a ter efetivamente ganhos na eficiência do sistema, que apesar das dificuldades, responde com mais rapidez que há um ano".
Aquisição de mais de 270 viaturas para o INEM: "Maior investimento"
De notar também que, esta tarde, o primeiro-ministro anunciou que que foi aprovada a aquisição de 275 novas viaturas para o INEM.
"São 163 ambulâncias, 34 VMERs e 78 outros veículos. É o maior investimento do género da última década", anunciou o primeiro-ministro, acrescentando que o custo é de 16,8 milhões de euros.
O chefe de Governo assumiu que aquelas três vítimas "não terão tido a resposta mais rápida do sistema de emergência apesar do reforço feito na região de Setúbal e de Lisboa que envolve a totalidade das ambulâncias disponíveis".
"Nos últimos dez anos, apenas tinham sido adquiridos para o INEM 100 veículos num total de 4,2 milhões de euros. Ou seja, em dez anos foi gasto um quarto do que este Governo decidiu ontem mesmo investir. Estamos a resolver um problema crónico e a inverter um desinvestimento que herdámos com consequências evidentes e graves", acrescentou.
Responsabilidade política? "A primeira é minha, com certeza"
O primeiro-ministro admitiu ainda que a responsabilidade política pela situação na saúde é primeiramente sua, numa resposta dada ao deputado do Livre Rui Tavares, que defendeu que a ministra da Saúde só se mantém por ser um "para-raios" para Montenegro.
"A responsabilidade política: a primeira é minha, com certeza. A responsabilidade política da administração é do Governo. É minha, é dos membros que eu escolho para estarem no Governo, de cada um que tem tarefas na administração e que colaboram ao nível da prestação de serviços", afirmou.
E reforçou: "É atribuir-me a responsabilidade? Eu cá estou para assumir a responsabilidade toda. Sempre, toda. Eu e qualquer membro do Governo".
"Diabolização da situação" da Saúde?
Montenegro considerou também incorreto fazer "uma diabolização" do estado da saúde, de maneira a incutir uma intranquilidade e desconfiança nos portugueses.
"Houve um caso aqui que foi trágico, é verdade, nós não estamos aqui para ignorar isso", afirmou Luís Montenegro, sublinhando no entanto que "o que não vale é fazer uma diabolização da situação de maneira a incutir uma intranquilidade, uma desconfiança que, sinceramente, os portugueses que todos os dias vão a um centro de saúde, que todos os dias vão a um hospital, todos os dias que vão a um serviço de urgência não sentem".
O primeiro-ministro respondia à líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, que considerou que o sistema de saúde e o Estado estão "em colapso" e que a "responsabilidade política só pode ser atribuída ao Governo e ao Ministério da Saúde".
"Eu sei que, para quem passa horas para ser atendido num serviço de urgência, não há explicação nenhuma, não há explicação nenhuma que possa tranquilizá-los, a eles, a essas pessoas e às suas famílias", continuou, sublinhando, no entanto, que existem "milhares e milhares de portugueses" a quem "felizmente isso não acontece".
Tempos de espera? "Estamos a resolver do ponto de vista estrutural"
Já sobre os tempos de espera nas urgências, o chefe do Executivo disse no Parlamento que os tempos de espera nas urgências diminuíram em 21% para os casos muito urgentes (pulseira laranja), afirmando que o Governo está "paulatinamente a resolver esta questão".
"Com serenidade, sem gritos, sem politiquice, estamos paulatinamente a resolver do ponto de vista estrutural esta questão e já temos resultados", afirmou o chefe do executivo, durante o debate quinzenal, em resposta à bancada do Chega.
Face ao mesmo período, referiu, houve uma redução de 30% do tempo de espera nas urgências dos doentes azuis e verdes (pouco urgente), de 18% para a cor amarela (urgente) e de 21 % dos utentes com prioridade laranja.
Três mortes em três dias por alegada falta de socorro: Recorde
De recordar que em apenas três dias, morreram três pessoas. Todas elas, alegadamente, sem a prestação de cuidados de saúde dentro do tempo que seria expetável.
O presidente do INEM considera que, pelo menos no primeiro caso, houve uma triagem correta, estando o problema relacionado com a falta de ambulâncias e os seus trabalhadores recusam ser "bode expiatório de falhas do Serviço Nacional de Saúde".
Entretanto, já foram abertas investigações para apurar as circunstâncias destas três fatalidades.

















