Moedas acusa PS de falta de responsabilidade por votar contra orçamento
- 13/01/2026
"Mesmo antes sequer de haver um projeto de orçamento, parte da oposição anunciou que votava contra, que votava contra só por votar contra. Foi essa a atitude do PS de Lisboa. Quem decide fazer isto numa democracia quer simplesmente dizer que não está disponível para dialogar, quer dizer que não está disponível para servir os lisboetas", afirmou o social-democrata na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa (AML).
Na discussão da proposta de orçamento municipal para este ano, bem como das Grandes Opções do Plano 2026-2030, o presidente da câmara disse que o voto contra anunciado pelo PS, tanto no executivo camarário como na AML, "vai contra toda a tradição de moderação do partido" e questionou o que é feito do sentido de responsabilidade dos socialistas.
"Lisboa não precisa de bloqueios. Precisa de ação. É exatamente o que apresentamos neste orçamento", reforçou.
Em resposta, o líder do PS na AML, Pedro Pinto de Jesus, rejeitou as acusações de radicalismo e perguntou a Carlos Moedas "se também apelidaria de radicais os companheiros do PSD que votaram recorrentemente contra" orçamentos municipais apresentados por anteriores governações do PS em Lisboa.
O socialista Pedro Pinto de Jesus disse ainda que o radicalismo não se mede por quem vota contra um orçamento, mas sim pelos efeitos das escolhas políticas que são tomadas.
"Reduzir a proteção pública em plena crise social, governar sem previsibilidade nem planeamento, normalizar uma governação ancorada na extrema-direita e empurrar o custo de vida da cidade para as famílias, não é moderação, não é diálogo, não é responsabilidade", expressou o líder do PS.
Pedro Pinto de Jesus justificou o voto contra do PS com a discordância do rumo da governação de PSD/CDS-PP/IL, que tem "o Chega como parceiro, como coadjuvante informal desta coligação".
"Os lisboetas merecem uma cidade que os proteja e não um orçamento que os abandona", acrescentou o socialista, reforçando que o voto contra é por sentido de responsabilidade democrática, por considerar que a proposta orçamental não responde a quem vive e trabalha em Lisboa.
Em concreto, o PS criticou a redução do orçamento previsto para áreas como habitação, educação, saúde e área social, lamentando que a governação PSD/CDS-PP/IL crie "uma perceção inflacionada de crescimento do investimento" ao comparar projeções futuras com execução passada, sublinhando que os orçamentos se comparam com orçamentos homólogos.
Aos deputados, Carlos Moedas afirmou que o orçamento municipal para este ano, que prevê uma despesa de 1.345 milhões de euros (ME), ligeiramente inferior aos 1.359 ME previstos para 2025, "tem três traços essenciais: mais investimento, mais equilíbrio e mais audácia".
"Aumenta o investimento em 31% em relação a 2025", realçou o autarca do PSD, referindo que o orçamento se irá refletir "nas áreas fundamentais para o dia a dia da cidade e dos lisboetas", como a higiene urbana, segurança, educação, área social e espaço público, bem como habitação e cultura, ao mesmo tempo que mantém os impostos baixos.
Do Chega, o deputado Luís Pereira Nunes disse que o seu partido vai "votar positivamente" o orçamento na AML, tal como fez na câmara, para permitir ao executivo condições de estabilidade governativa, reconhecendo que "o eleitorado conferiu uma maioria clara à direita e é com base nesta maioria que cidade deve ser governada".
O eleito acrescentou que a liderança PSD/CDS-PP/IL integrou "algumas propostas defendidas pelo Chega, ainda que de forma insuficiente", afirmando que há opções que discorda, inclusive a "aposta excessiva ideológica na mobilidade suave", lembrando que há promessas eleitorais por cumprir como a eliminação da ciclovia da Avenida Almirante Reis.
Em 17 de dezembro, a proposta de PSD/CDS-PP/IL de orçamento para 2026 foi aprovada pela câmara, com o apoio do Chega, que votou a favor, tendo a restante oposição -- PS, Livre, BE e PCP -- votado contra.
Este é o primeiro orçamento municipal do atual mandato (2025-2029), proposto pela nova gestão PSD/CDS-PP/IL, sob presidência do reeleito Carlos Moedas (PSD), que continua a governar Lisboa sem maioria absoluta.
No anterior mandato (2021-2025), os quatro orçamentos da liderança PSD/CDS-PP (a IL não integrava o executivo municipal, nem o Chega) foram aprovados graças à abstenção do PS, tendo a restante oposição, inclusive PCP, BE e Livre, votado contra.
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