Moçambique. Nações Unidas precisam de 294 milhões para apoio humanitário

  • 01/01/2026

Desse total, 265 milhões de dólares (225 milhões de euros) correspondem a "necessidades prioritárias" de 919 mil pessoas, conforme prevê o relatório com o Plano de Resposta Humanitário de 2026 em Moçambique, do escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

 

O documento sublinha que, em 2025, as necessidades humanitárias "aumentaram devido a uma escalada significativa do conflito em Cabo Delgado", província no norte afetada há mais de oito anos por ataques terroristas, e face à "elevada vulnerabilidade das pessoas que regressavam às suas áreas de origem", deslocadas, entre "destruição generalizada dos serviços sociais e o impacto de três grandes ciclones, combinado com secas induzidas pelo 'el niño'".

Essas comunidades "enfrentaram uma grave insegurança alimentar, um acesso limitado aos cuidados de saúde e à educação e riscos de proteção acrescidos, particularmente para as mulheres, raparigas e crianças", enquanto "choques repetidos corroeram a resiliência e aprofundaram as vulnerabilidades, deixando centenas de milhares de pessoas a necessitar de assistência vital".

Acrescenta que os grupos armados não estatais "intensificaram os ataques em Cabo Delgado e arredores, com uma média de mais de dois incidentes por dia", e a "violência contra civis atingiu o seu nível mais elevado em anos, com 730 incidentes de segurança -- o dobro dos números de 2024 -- e 466 ataques diretos".

Estes grupos estão agora em "quase todos os distritos de Cabo Delgado, enquanto os ataques no Niassa e Nampula levantam preocupações sobre a propagação a outras províncias", refere ainda, acrescentando: "A violência desencadeou repetidas vagas de deslocações em Cabo Delgado, Nampula e Niassa, obrigando mais de 230 mil pessoas a fugir (em outubro de 2025) --- o número mais elevado desde 2020."

Acrescenta que famílias afetadas pelo conflito permaneceram nas suas comunidades, "apesar das ameaças contínuas, devido aos recursos limitados e à assistência insuficiente nas áreas de deslocação", e que o "acesso humanitário foi severamente prejudicado pela insegurança, pelo encerramento das pistas de aterragem e pela escolta militar obrigatória".

Refere que "as operações humanitárias em vários distritos afetados foram temporariamente suspensas, uma vez que a insegurança obrigou à deslocação de trabalhadores humanitários e levou alguns funcionários do governo e contratados a fugir".

O documento sinaliza o "aumento dos incidentes com engenhos explosivos improvisados", o que "complica ainda mais a resposta, uma vez que a relutância do governo em reconhecer os riscos de contaminação dificulta a mitigação".

Alerta que em 2026 "a insegurança no norte de Moçambique deverá persistir e expandir-se, com os grupos armados não estatais a continuarem a realizar ataques móveis, raptos, extorsões e cobranças informais ao longo de rotas importantes, zonas mineiras e zonas costeiras, restringindo ainda mais os meios de subsistência e o acesso humanitário".

"É provável que os ataques se propaguem ainda mais para as zonas mineiras, corredores de transporte e centros turísticos, enquanto as ameaças de engenhos explosivos improvisados e a insegurança marítima continuam elevadas", alerta.

Acrescenta que as operações humanitárias "enfrentarão graves limitações", face aos requisitos de escolta de segurança, bloqueios de estradas, inundações, falta de financiamento e entraves burocráticos, "incluindo atrasos dispendiosos na emissão de vistos e autorizações de trabalho e uma crescente supervisão governamental que poderá comprometer os princípios humanitários", alertando que as "lacunas de financiamento limitarão os esforços de recuperação e poderão reverter os ganhos de desenvolvimento".

Leia Também: Daniel Chapo assinala "coragem" de militares no combate ao terrorismo

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2912257/mocambique-nacoes-unidas-precisam-de-294-milhoes-para-apoio-humanitario#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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