Moçambique envia embarcação com ajuda para vítimas das cheias
- 26/01/2026
"Este carregamento é de 20 toneladas, é uma primeira viagem desta embarcação para este destino que nos referimos, que é Chongoene, entretanto, no seu regresso prevemos trazer em média 150 a 200 pessoas, no caso, passageiros", disse o presidente do conselho de administração do Instituto de Transportes Marítimos de Moçambique (Itransmar), Unaite Mustafá, à partida da embarcação na Ponte Cais, em Maputo.
Segundo as autoridades moçambicanas, a viagem vai durar em média 12 horas, devendo a embarcação atracar no porto de Chongoene, na província de Gaza, estando previsto o seu regresso a Maputo com passageiros, após as chuvas interromperem a circulação na Estrada Nacional 1 (N1), principal via terrestre do país.
"Como sabemos há uma pressão enorme em Gaza, pessoas vindas de todo o país, da região centro e norte, que estão barradas e proibidas de continuar a viagem por causa da interrupção da estrada, e a prioridade vai ser dada a essas pessoas que estão em trânsito e que tiveram que ficar paradas e interrompidas da viagem", disse o presidente do conselho de administração do Itransmar.
Além da que saiu hoje de Maputo, a ligação marítima entre Maputo e Gaza poderá ser feita com outra embarcação atracada no Porto de Maputo, com capacidade de carregar pelo menos 500 contentores de carga, com o Governo moçambicano a esclarecer que está disponível para transportar carga até Chongoene em caso de necessidade.
As autoridades moçambicanas suspenderam no sábado, por tempo indeterminado, a circulação de todo o tipo de viaturas, incluindo de transporte de passageiros e de mercadorias, entre Maputo e Gaza, devido às cheias e destruição de troços de estrada.
Num aviso, a Direção Nacional dos Transportes e Segurança refere que, "na sequência do galgamento das águas das cheias em diversas estradas nacionais", mas "com particular incidência" na estrada Nacional 1 (N1), principal via do país, "encontra-se interdita a circulação rodoviária de todo o tipo de viaturas" nos troços compreendidos entre a zona de 3 de Fevereiro, província de Maputo, e as localidades de Incoluane, Chicumbane e a cidade de Xai-Xai, na província de Gaza.
De acordo com a base de dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a que a Lusa teve acesso, com informação até às 07:00 (05:00 de Lisboa) de hoje, as cheias que se registam em vários pontos do país afetaram já 652.189 pessoas, equivalente a 141.317 famílias, com registo de 3.445 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 153.417 inundadas.
Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias em menos de 20 dias, numa altura em que centenas de famílias continuam sitiadas, a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 131 pessoas em Moçambique, além de 144 feridos, e 779.528 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.
Hoje prosseguem ações e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas durante vários dias, que têm levado as barragens, incluindo dos países vizinhos, a realizarem descargas, por falta de capacidade de encaixe.
Estão envolvidos nestas operações mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo da África do Sul, bem como embarcações privadas e da Marinha de Guerra.
Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.
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