Moçambique deve antecipar meios para retirar pessoas de zonas de cheias

  • 18/02/2026

"Não basta dizer às pessoas que saiam, elas têm que saber claramente para onde é que saem, por onde, que meios estão disponíveis, porque nem toda a gente tem carro. E as pessoas não podem ser colocadas numa situação em que saem apenas com a roupa que levam vestidas", defendeu Álvaro Vaz, antigo professor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a mais antiga instituição do ensino superior no país.

 

Álvaro Carmo Vaz, professor catedrático, falava como orador durante o debate sobre as cheias, organizado pela Organização Não-Governamental moçambicana Observatório do Meio Rural (OMR), em que defendeu a preparação antecipada das autoridades para a retirada das pessoas das zonas de risco, numa altura em que o país recupera das cheias de janeiro, que afetaram quase 725 mil pessoas.

"Devemos nos preparar antes, deve haver meios, se as pessoas não têm carros, deve haver carros providenciados pelas autoridades, camiões, etc., que permitem que as pessoas [saiam], mas que as pessoas levem também alguns dos seus bens. Tentar providenciar o máximo de capacidade para que as pessoas saiam com as suas coisas essenciais", disse.

Já a arquiteta e planeadora urbana moçambicana Shila Morais indicou que as inundações urbanas no país são muitas vezes causadas pela falta de planeamento e ordenamento territorial, com os principais cursos de água bloqueados, quando cresce a expansão urbana face ao crescimento populacional.

Defendeu que as desigualdades sociais empurram muitas famílias para áreas propensas a inundações, sendo que essa urbanização antecede ao planeamento, propiciando as cheias nesses locais: "É necessário que aprendamos e comecemos a ter intervenções integradas que vão para além de infraestruturas para ter soluções mais estruturais através de um planeamento mais participativo".

Para mitigar os impactos, a arquiteta defende investimentos em sistemas de aviso prévio e em infraestruturas resilientes.

"Em Moçambique, a chuva continuará variável, os rios a transbordar e as cidades a crescerem, então não é se a água vai chegar, mas como estamos preparados a nível urbano para receber esta água", disse, defendendo que a resiliência deve ser construída antes da ocupação dos espaços pelas comunidades.

"Ou planeamos as cidades com a água ou continuaremos a reconstruí-las depois das chuvas", concluiu Shila Morais.

O total de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 226, com registo de mais de 860 mil pessoas afetadas, desde outubro, segundo a atualização divulgada hoje pelo instituto de gestão de desastres.

De acordo com informação do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a que a Lusa teve acesso e atualizada às 14:32 (12:32 de Lisboa), foram afetadas 861.608 pessoas, o correspondente a 199.184 famílias, havendo também 12 desaparecidos, além de 321 feridos. Este balanço contabiliza mais três mortos face à atualização de terça-feira.

Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 27 mortos - afetando 724.131 pessoas - e a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, levou à morte de outras cinco pessoas.

Acrescenta-se que um total de 14.568 casas ficaram parcialmente destruídas, além de 5.845 totalmente destruídas e outras 183.812 inundadas, na presente época chuvosa.

Um total de 272 unidades de saúde, 76 casas de culto e 677 escolas foram afetadas em pouco mais de quatro meses e meio.

Os dados do INGD indicam ainda que 554.805 hectares de áreas agrícolas foram afetados neste período, 287.825 hectares dos quais dados como perdidos, atingindo 365.155 agricultores. Também 530.998 cabeças de gado morreram e foram afetados 6.799 quilómetros de estrada, 36 pontes e 123 aquedutos.

Leia Também: Surto de cólera em Moçambique cresce para 5.500 casos e 71 mortos

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2941466/mocambique-deve-antecipar-meios-para-retirar-pessoas-de-zonas-de-cheias#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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