Moçambique avalia ajuste para evitar alunos a estudar debaixo das árvores
- 03/02/2026
Segundo a ministra Samaria Tovela, o mecanismo de ajuste de horários vai abranger, numa primeira fase, os alunos de ensino primário, "porque efetivamente não há condições para estudarem nas árvores", quando muitas escolas foram afetadas pelas inundações, sobretudo no sul do país.
"Vamos ter que nos ajustar, fazer horários razoáveis que permitam que as crianças estejam nas salas de aulas para não passarem por condições que não são possíveis", disse à comunicação social privada do grupo moçambicano Soico.
A governante avançou que a atual situação do país, caraterizada por inundações, coloca desafios para muitas escolas quando se aproxima o arranque o ano letivo previsto para final de fevereiro, após ser adiado o início em janeiro.
"Haverá escolas, evidentemente, que ainda terão alguns desafios, os recursos estão a ser mobilizados a nível do Governo", acrescentou a ministra da Educação.
Em 22 de janiero, a Lusa noticiou que a Associação Nacional dos Professores de Moçambique (Anapro) pediu a revisão do calendário escolar nas zonas afetadas pelas cheias e o pagamento integral do 13.º salário aos docentes afetados pelas inundações generalizadas no sul do país.
Entre as medidas imediatas, a Anapro defende o pagamento integral e antecipado do 13.º salário de 2025 aos professores afetados. O Governo aprovou este mês pagar 40% aos funcionários públicos, entre janeiro e fevereiro.
Segundo a associação, no distrito de Chókwè, província de Gaza, praticamente todas as escolas da zona urbana e suburbana ficaram inundadas, incluindo institutos de ensino técnico profissional e várias escolas primárias e secundárias.
Na província moçambicana de Sofala, centro do país, após as cheias verifica-se também a necessidade de 800 toneladas de sementes diversas para distribuir aos agricultores, após perderem cerca de 31 mil hectares com as cheias e inundações, avançou hoje o diretor provincial de agricultura na província.
"Do momento necessitamos de certa de 800 toneladas de sementes e materiais vegetativos para as famílias recuperarem o que perderam", disse o diretor provincial de agricultura na província de Sofala, António Sacamalua
O responsável pediu apoio ao setor privado para aquisição de sementes, cujo objetivo é avançar com o cultivo assim que terminar a presente época chuvosa.
"Perdemos cerca de 31 mil hectares de culturas diversas, o destaque vai para milho, arroz e mapira", acrescentou o responsável.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as cheias de janeiro, há registo de 153 mortos, além de 254 feridos e de 844.372 pessoas afetadas, segundo os dados do INGD.
Em 16 de janeiro, o Governo decretou o alerta vermelho nacional.
De acordo com os dados atualizados, estão atualmente ativos 77 centros de acomodação, com 76.251 pessoas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas desde 07 de janeiro 229 unidades sanitárias e 316 escolas, bem como cinco pontes.
O registo do INGD aponta também para 440.842 hectares de área agrícola afetados, dos quais 275.405 dados como perdidos, atingindo a atividade de 314.780 agricultores, além da morte de 408.115 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega e Japão, além de países vizinhos, já enviaram ajuda humanitária de emergência.
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