Minneapolis oferece ensino remoto temporário devido a operações do ICE
- 09/01/2026
Segundo um plano temporário divulgado numa mensagem interna enviada aos professores, os docentes irão lecionar em simultâneo a partir das salas de aula para alunos presentes fisicamente e para estudantes a acompanhar as aulas a partir de casa.
A decisão surge num contexto de forte tensão local, após o Governo do Presidente Donald Trump ter destacado cerca de 2.000 agentes de imigração para a região e na sequência do homicídio de uma mulher por um agente federal, na quarta-feira.
Pais e educadores têm reportado que as operações de imigração em várias cidades norte-americanas provocaram quebras na assiduidade escolar, sobretudo entre famílias imigrantes que se sentem vulneráveis.
Sobre a situação em Minneapolis, o presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, acusou hoje o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA de agir de forma "cruel e desumana", classificando como "assassinato" a morte de uma mulher baleada naquela cidade por um agente federal.
Em entrevista à CNN, Mamdani afirmou que as ações dos serviços de imigração (ICE) geram "medo e ansiedade" entre os imigrantes que vivem em Nova Iorque, incluindo cerca de três milhões de residentes.
Mamdani garantiu que não permitirá a entrada de agentes do ICE em propriedades municipais de Nova Iorque sem mandado judicial e prometeu defender os direitos e a segurança dos nova-iorquinos caso o Governo federal envie forças de imigração para a cidade.
Embora defensores da educação noutras cidades tenham pedido alternativas à frequência presencial, Minneapolis é um dos poucos distritos a reintroduzir o ensino virtual em moldes semelhantes aos adotados durante a pandemia de covid-19.
"Esta medida responde a uma necessidade muito importante para os nossos alunos que não podem vir à escola neste momento", escreveu um administrador escolar de Minneapolis, acrescentando que a opção de ensino remoto estará disponível até 12 de fevereiro.
As escolas públicas da região permaneceram encerradas na quinta e sexta-feira devido a distúrbios, tendo o distrito solicitado aos professores que comparecessem nos estabelecimentos para receberem orientações adicionais.
Esta noite, ativistas e organizações de defesa dos direitos dos imigrantes protestaram contra as operações do ICE em Minneapolis, dirigindo também críticas à secretária da Segurança Interna, Kristi Noem.
Segundo meios de comunicação locais, os manifestantes exibiram cartazes com mensagens como "ICE: Assassinos" e "Nova Iorque apoia Minneapolis".
Alguns participantes transportavam ainda fotografias para exigir justiça para Renee Nicole Good, a mulher morta a tiro durante uma operação do ICE naquela cidade do Minnesota.
A morte ocorreu no âmbito de uma intervenção federal em Minneapolis, onde o Departamento de Segurança Interna reportou a detenção acumulada de mais de mil imigrantes, incluindo cidadãos do Equador, México e El Salvador.
Na segunda-feira, foram detidas mais de 150 pessoas, na maior operação realizada este ano, segundo dados oficiais.
Kristi Noem afirmou que as políticas das cidades-santuário "protegem criminosos e membros de gangues" e colocam em risco a segurança dos residentes, garantindo que o Governo federal usará "todas as ferramentas" para proteger os americanos.
Em resposta, a Coligação de Imigração de Nova Iorque acusou a secretária de mentir sobre essas políticas para "incitar o medo" entre a população.
O defensor público da cidade, Jumaane Williams, afirmou por sua vez que a administração do Presidente Donald Trump está a "fazer o trabalho do diabo".
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