Ministro acusa dirigentes do ICNF: "Mentirosos, cobardes e radicais"

  • 24/01/2026

O ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, chamou alguns dirigentes do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) de mentirosos, cobardes" e "radicais"

 

Numa publicação feita nas suas redes sociais ao final da noite de sexta-feira, 23 de janeiro, o ministro escreveu: "Há dirigentes (poucos) mentirosos, cobardes e realmente radicais" no ICNF.

"Não pude estar num encontro de todos os dirigentes nacionais do ICNF. Deixei este vídeo - na íntegra - como mensagem", explicou, deixando o vídeo mencionado abaixo na mesma publicação. Nele, "agradeci o trabalho, pedi para os dirigentes se colocarem no sítio do 'outro' antes de decidirem, pedi proximidade, bom senso, proatividade, rapidez, simplificação. Mas não é isto que os contribuintes portugueses têm de exigir aos nossos serviços públicos?", questionou.

A indignação do governante prende-se com um artigo do jornal Público, também da noite de sexta-feira, intitulado: "Se a lei impede que se aprovem projectos, muda-se a lei, diz ministro da Agricultura ao ICNF".

Na notícia, que o jornal escreveu tendo em conta os relatos de várias fontes que terão estado nesta reunião, José Manuel Fernandes, alegadamente, dizia no vídeo que o ICNF é "demasiado radical" e que entravava o "progresso do país". Nas mesmas imagens, pode ler-se no artigo, o ministro teria feito "ameaças veladas" sobre a sobrevivência do instituto.

O governante teria ainda dito que o ICNF estava a "emitir muitos pareceres negativos" e a cumprir a lei de uma forma demasiado rigorosa. Por isso mesmo, disseram as fontes ao Público, o ministro terá dado instruções para que a lei fosse "relativizada" e pôs em cima da mesa a alteração da lei, caso fosse um obstáculo a determinados projetos.

"Basta ver o vídeo que aqui deixo para se provar que estas afirmações são absolutamente falsas", afirmou José Manuel Fernandes na publicação nas redes sociais.

O ministro pôs em causa as fontes do jornal, afirmando que "há dirigentes que mentiram": "Seguramente são os mesmos (ainda que sejam muito poucos) que estão a empatar, a encravar, a adiar".

"No final de contas, são os maiores inimigos do ambiente, da democracia e do serviço público, acabando por manchar os excelentes exemplos que temos na administração pública. Se tivessem vergonha, até porque mentem, demitiam-se. Pela missão que assumiram e pelo bem do ICNF digam a verdade", concluiu José Manuel Fernandes.

Entretanto, o Partido Socialista acusou o Governo, este sábado, de exercer uma "pressão ilegítima" sobre as entidades responsáveis pelas avaliações de impacte ambiental, como o ICNF e APA, e pediu a audição urgente no parlamento do ministro José Manuel Fernandes.

Afinal, o que diz o ministro no vídeo?

Mas, afinal, o que disse o ministro da Agricultura e Pescas no vídeo passado nessa reunião?

José Manuel Fernandes começou por "agradecer" o trabalho do ICNF na sua declaração. Um "trabalho de qualidade e um trabalho que eu peço que seja de cada vez maior proximidade".

Depois, o governante elencou alguns pedidos, começando pelo da "alteridade": "Antes de decidirem coloquem-se no sítio do outro e estou certo que a vossa decisão será mais rápida e também, com certeza, será mais ponderada e também perceberão a dificuldade do outro", afirmou.

"Nós existimos", continuou o ministro, "porque temos uma missão e um serviço a desempenhar em relação ao outro". E, "por vezes, a resposta não se pode fazer porque a legislação não o permite".

Nestes casos, o ministro considerou que há uma pergunta que deve ser feita: "A legislação devia permitir?".

E, caso a resposta seja afirmativa, o que deve ser feito "é alterar a lei, que, às vezes, é uma simples portaria, outras vezes é um decreto de lei; mas outras vezes é uma diretiva ou um regulamento que também se pode alterar".

Num outro pedido, José Manuel Fernandes apelou ao "bom senso, porque essa é a melhor forma" de atingir os objetivos a que o Governo e o ICNF se propõem.

"Mas nunca se esqueçam que os objetivos da sustentabilidade ambiental têm de ser compatibilizados com o objetivo da coesão territorial e também o objetivo da competitividade - e aí o bom senso e a moderação é essencial", ressalvou.

Em casos onde não existe bom senso "o que temos é retrocesso". Não só em termos ambientais, mas também um retrocesso que dá "espaço ao radicalismo e ao extremismo, que não é nem amigo do ambiente, nem dos valores europeus, nem da coesão territorial, nem da competitividade".

Terá sido este vídeo, que pode ver na íntegra na publicação do ministro, que foi emitido durante a reunião de sexta-feira perante diretores regionais do ICNF. Nesse dia, a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, e o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, visitaram a sede do instituto em Algés.

Leia Também: Portugal tem "espaço e oportunidade" para fazer reformas

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/politica/2925650/mentirosos-cobardes-e-radicais-ministro-insulta-dirigentes-do-icnf#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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