Militares portugueses levam ajuda a vítimas das inundações em Moçambique
- 31/01/2026
"As necessidades são muitas, as autoridades estão fazendo o possível para coordenar os apoios. Nós estamos também a apoiar através das autoridades militares de Moçambique, as Forças Armadas de Defesa de Moçambique e também as organizações civis", disse o coronel Moutinho Fernandes, comandante da Força de Reação Imediata (FRI) de Portugal, que lidera a Força de Apoio Militar de Emergência de Reação Imediata, já no terreno.
Falando durante a assistência médica às populações do povoado de Maguiguana, a mais de 150 quilómetros de Maputo, o comandante da operação, designada "Kanimbanbo" (obrigado, em língua nacional changana), reconheceu que a situação no terreno é ainda crítica, apesar de ter melhorado.
"Estamos em contacto com as diversas organizações civis, com o Ministério da Saúde, com o Instituto Nacional de Gestão de Risco [INGD] também, e estamos a apoiar naquilo que são as nossas capacidades e que trouxemos também, dentro das nossas limitações, obviamente", explicou.
Segundo Fernandes, no âmbito do apoio, a força portuguesa, que chegou a Maputo na sexta-feira, constituída por 36 militares, destacados para várias operações, entre as quais consta a assistência médica, busca e salvamento e operação civil militar, vai entregar cerca de seis toneladas de produtos às autoridades moçambicanas, para que façam chegar às vítimas.
"[Há] muita preocupação [com a situação dos afetados]. Aliás, nós sabíamos, tínhamos a experiência da operação Idai [ciclone], que realizamos aqui em Moçambique, também, em 2019. A primeira coisa que fomos ver antes de virmos para aqui foi, efetivamente, ver as lições identificadas na altura, e sabíamos que uma das principais preocupações é trazer uma componente, um destacamento mais forte em termos de apoio sanitário. Daí termos trazido três médicos para esta missão, com enfermeiros, com socorristas, e é o nosso maior destacamento", avançou.
Acrescentou que se espera a retoma à normalidade nas comunidades afetadas pelas cheias e inundações, as piores registadas em Moçambique nos últimos anos, enquanto o país se prepara com equipamentos, materiais e capacitação das forças para evitar que destruições do género ocorram no futuro.
"O mais importante neste momento, e penso que nestas situações, é as pessoas sentirem que as Forças Armadas e as estruturas de apoio estão com eles e estão preparadas para o socorrer em caso de necessidade", acrescentou Moutinho Fernandes.
Mariana Cupane, administradora de Magude, agradeceu o apoio prestado pela equipa militar portuguesa, avançando que vai permitir tratar doenças resultantes das águas estagnadas.
"Depois das chuvas há muita malária, há muita diarreia. Portanto, precisamos de monitorar continuamente a saúde pública neste momento (...) e o que articulamos com os médicos que aqui chegaram, a equipa médica, é que, embora as pessoas já não estejam nos centros de acolhimento, ao nível dos bairros, vamos colocar um posto de saúde móvel para que as pessoas possam dirigir-se até lá" avançou.
Segundo a comandante, por causa das inundações, o distrito perdeu muitas vacinas, uma quantidade que ainda "não é possível contabilizar".
A secretária de Estado de Negócios Estrangeiros e Cooperação de Portugal anunciou na sexta-feira que chegará em fevereiro mais ajuda humanitária de Portugal para as vítimas das cheias das últimas semanas em Moçambique, que já ultrapassam os 720 mil afetados e 22 mortos.
"No início de fevereiro está prevista uma ponta aérea humanitária que, em coordenação com a União Europeia, trará ainda 400 'kits' de higiene, 125 'kits' de cozinha e 15 tendas", disse aos jornalistas Ana Xavier, após a receção de uma aeronave da Força Aérea Portuguesa com 36 militares que darão apoio nas operações de salvamento e ajuda das vítimas das inundações em Moçambique.
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