Milhares manifestam-se em Londres contra venda de armas a Israel
- 29/11/2025
A manifestação, que partiu do Hyde Park e percorreu mais de três quilómetros até Trafalgar Square, foi animada por numerosos tambores, e a polícia vigiou a frente e a retaguarda da marcha sem intervir.
A polícia metropolitana concedeu autorização para a realização da manifestação desde que os participantes não ocupassem as ruas adjacentes ao percurso e dispersassem antes das 17:00, tendo em conta que hoje é um dia de grande atividade comercial devido à Black Friday, com milhares de compradores nos estabelecimentos comerciais.
Vestidos com 'kufiyas' (lenços tradicionais que simbolizam a resistência do povo palestiniano) e agitando numerosas bandeiras da Palestina, os manifestantes --- vindos de toda a Inglaterra, como se podia ver nos cartazes --- gritavam slogans contra Israel e contra o Governo britânico, destacando-se os cartazes que diziam: "Starmer tem as mãos manchadas de sangue", em alusão ao primeiro-ministro, Keir Starmer.
Não faltaram, misturados com militantes da esquerda extraparlamentar, grupos de judeus opositores do Estado de Israel e também ultraortodoxos vestidos com levitas pretas (casacos longos) e chapéus de feltro, defensores de um Estado palestino.
Em Trafalgar Square, um pequeno grupo de pessoas a favor de Israel --- com bandeiras britânicas e israelitas --- esperava pelos manifestantes com a aparente intenção de provocar, mas a polícia londrina criou um cordão de segurança para evitar confrontos.
Algumas das maiores bandeiras defendiam os seis detidos do grupo Palestine Action que estão em greve de fome há mais de 20 dias, dois dos quais tiveram de ser hospitalizados devido à deterioração da sua saúde.
O grupo Palestine Action foi ilegalizado e classificado como "terrorista" em julho passado, depois de alguns dos seus membros invadirem um aeródromo militar e vandalizarem alguns aviões com tinta, em protesto contra a venda de armas a Israel. Desde então, cerca de mil pessoas foram detidas nas ruas de Londres por manifestarem a sua solidariedade com eles, em aplicação das leis antiterroristas.
Para assinalar o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano foram agendadas para hoje várias manifestações em diferentes países, incluindo em Portugal - em Lisboa e no Porto.
A guerra em Gaza foi desencadeada pelos ataques a Israel, liderados pelo Hamas, em 07 de outubro de 2023, que causaram cerca de 1.200 mortos e 251 reféns.
A retaliação de Israel provocou mais de 70 mil mortos, a maioria civis, de acordo com dados do Ministério da Saúde de Gaza (tutelado pelo Hamas), que a Organização das Nações Unidas (ONU) considera credíveis.
A ofensiva israelita também destruiu quase todas as infraestruturas de Gaza e provocou a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.
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