Mesão Frio com danos que ultrapassam "capacidade de resposta" municipal
- 06/02/2026
"Este é com concelho que tem 900 lavradores, muitos com parcelas pequeninas e um muro que caia inviabiliza logo o negócio para dois ou três anos. E temos aqui propriedades quase destruídas", afirmou hoje à agência Lusa Paulo Silva presidente da Câmara de Mesão Frio, no distrito de Vila Real.
Este é um concelho que tem como principal atividade económica a vinha e a produção de vinho. É também, acrescentou o autarca, um concelho muito afetado pelas várias depressões que se têm feito sentir nas últimas semanas e "com prejuízos significativos que ultrapassam largamente a capacidade de resposta municipal".
O autarca descreve "patamares inteiros rachados a meio, estradas cortadas com muro caídos", contabiliza "duas casas apanhadas numa avalanche de terras" e duas famílias (quatro pessoas) desalojadas, que se encontram atualmente alojadas temporariamente na Antiga Residência de Estudantes, devido à falta de condições imediatas de habitabilidade.
Apontou ainda para prejuízos avultados em infraestruturas públicas, em propriedades privadas e explorações agrícolas, com impactos que se estendem a todas as freguesias do concelho
Paulo Silva disse que se encontra em curso "um levantamento exaustivo dos danos", sendo, no entanto, "já evidente a dimensão significativa dos prejuízos causados".
"Este é um município que recebe do Estado seis milhões e pouco de euros, é o nosso orçamento (...) Os prejuízos vão ser umas centenas de milhares de euros", referiu Paulo Silva, que disse temer que a situação "apenas esteja a meio" perante as previsões de continuação do mau tempo.
Neste concelho inserido na Região Demarcada do Douro há, em consequência da forte precipitação e da saturação dos solos, várias estradas municipais e troços da rede viária cortados ao trânsito, condicionando fortemente a mobilidade da população, o acesso a algumas localidades e a atividade económica local.
Segundo o município, o condicionamento e a interdição de acessos têm vindo, ainda, a prejudicar a atividade económica dos produtores engarrafadores, que se veem impedidos de receber e expedir mercadorias, com impactos diretos na economia local.
Esta manhã verificaram-se também "várias situações de cheia" nas zonas ribeirinhas do Douro.
Por todas estas dificuldades, o autarca pediu ao Governo para que reavalie "com urgência" a situação do concelho e do distrito, excluídos dos apoios estatais anunciados para resposta às intempéries, garantindo que "Mesão Frio seja incluído nos mecanismos de apoio e compensação, de forma justa e proporcional aos danos já registados e aos que vierem a surgir", referindo-se à próxima depressão Marta, que trará mais chuva e vento ao território.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Paulo Silva disse já ter reportado à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) o ponto de situação quanto aos estragos relevantes nas explorações agrícolas.
O município disse que tem também, através dos seus serviços e da Comissão Municipal de Proteção Civil, mantido uma intervenção permanente no terreno, assegurando a reposição de condições mínimas de segurança, a sinalização das zonas de risco e o apoio às populações afetadas.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
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