Mendes aconselha ministra da Saúde a dar explicações: "Vazio gera alarme"
- 11/01/2026
O candidato apoiado por PSD e CDS-PP falava num almoço-comício para cerca de 500 pessoas, em São João da Madeira (distrito de Aveiro), que contou também com a intervenção do ministro da Economia e da Coesão Territorial de Portugal, Manuel Castro Almeida.
Depois de ter pedido, há alguns dias, explicações à direção executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Mendes fez hoje o primeiro apelo direto à ministra Ana Paula Martins, que disse ser um exemplo do que quer que seja a sua Presidência: "Firme, mas tranquila".
"Vou dar dois conselhos presidenciais, não se trata de fazer críticas, não é por aí que vamos resolver as questões", começou por afirmar.
Em primeiro lugar, Mendes aconselhou a ministra a explicar porque é que "algumas coisas más estão a acontecer na saúde e, ao mesmo tempo, diga o que está a ser preparado para corrigir, qual o caminho e o calendário".
"Em política, nunca é bom ter vazios, o vazio gera alarme social", avisou.
O segundo conselho do candidato a Belém apoiado por PSD e CDS-PP ao Governo passa por retirar aos médicos a carga burocrática que disse ocupar-lhes por vezes um terço do seu tempo.
"Se tirassem aos médicos essa burocracia, eles tinham mais tempo para os doentes", considerou.
Marques Mendes repetiu hoje que, se for eleito Presidente da República, quer ter "uma liderança tranquila, mas firme".
"Tranquilidade é aquilo que as pessoas precisam e desejam: uma vida de trabalho, mas sem conflitos, sem crispações para além do habitual e sem ter permanentemente em cima de si a ameaça de mais uma eleição, mais uma dissolução, mais uma confusão", afirmou, salientando que nos últimos nove meses se realizaram três eleições.
Mendes alertou que um país "em permanente eleição em campanha eleitoral" não pode avançar nem evoluir.
"Ao mesmo tempo, serei um Presidente não apenas tranquilo, mas também firme nas suas ideias e convicções e a exigir resultados", disse, reiterando que dará todas as condições ao Governo, "este ou qualquer outro", para cumprir uma legislatura de quatro anos, porque isso é "respeitar a voz dos portugueses".
"Ajudando, no fundo, o Governo a dar mais atenção a assuntos que parecem mais esquecidos. Ajudando o Governo a ter mais cuidado com algumas matérias que parecem aqui ou lá serem tratadas com menos atenção. É este também o papel do Presidente", defendeu.
O antigo líder do PSD insistiu que "criticar por criticar não é solução".
"Mas criticar chamando a atenção das soluções dos caminhos é de facto a atitude construtiva que os portugueses precisam", disse.
Marques Mendes reiterou querer ser o candidato e o Presidente da estabilidade, dizendo que os seus adversários pretendem o contrário.
"Já estão todos aí a pensar em como chumbar o próximo Orçamento do Estado sensivelmente daqui a um ano e criar uma nova crise política em Portugal. Isso não pode ser. Isso não pode ser", defendeu.
As eleições presidenciais estão marcadas para dia 18.
Concorrem às presidenciais 11 candidatos, um número recorde. Caso nenhum consiga mais de metade dos votos validamente expressos, realizar-se-á uma segunda volta em 08 de fevereiro entre os dois mais votados.
Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
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