Meloni pede "mais tempo" para decidir sobre adesão a Conselho de Paz
- 21/01/2026
"Estamos abertos, disponíveis e interessados pelo menos por duas razões, sendo a primeira que Itália pode desempenhar um papel único na aplicação de um Plano de Paz para o Médio Oriente e na construção da solução de dois Estados", declarou, numa entrevista ao programa "Porta a Porta", excertos da qual foram noticiados pela imprensa.
Meloni afirmou também que não aderir a esta iniciativa de Trump "não seria uma escolha sábia para Itália e para a Europa", porque se trata de "uma proposta interessante".
"Para nós, há um problema de compatibilidade constitucional, porque, ao lermos o estatuto, encontrámos alguns elementos de incompatibilidade com a nossa Constituição", referiu, contudo.
E acrescentou: "Certamente, isso não nos permite assinar amanhã; precisamos de mais tempo. Há trabalho a fazer e a minha posição continua a ser de abertura".
Trump presidirá, na quinta-feira em Davos (Suíça), onde decorre esta semana o Fórum Económico Mundial, à cerimónia de criação do Conselho de Paz, um novo organismo internacional promovido pelo político republicano com o objetivo de pôr fim aos conflitos armados.
A chefe do executivo italiano confirmou, assim, que Itália não vai juntar-se, pelo menos para já, ao Conselho Internacional de Paz com o qual Trump pretende monitorizar o cessar-fogo na Faixa de Gaza.
O acordo de cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro de 2025 entre Israel e o movimento islamita palestiniano Hamas na Faixa de Gaza constituiu a primeira fase de um plano de paz proposto pelo Presidente norte-americano, após negociações indiretas mediadas pelo Egito, Qatar, Estados Unidos e Turquia.
Esta fase da trégua envolveu a retirada parcial do Exército israelita para a denominada "linha amarela" demarcada pelos Estados Unidos, linha divisória entre Israel e a Faixa de Gaza, a libertação de 20 reféns vivos em posse do Hamas e de 1.968 prisioneiros palestinianos.
O cessar-fogo visa pôr fim a dois anos de guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque de 07 de outubro de 2023 do Hamas a Israel, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.
No entanto, desde 10 de outubro de 2025, mais de 400 palestinianos foram mortos por fogo israelita na Faixa de Gaza, segundo as autoridades locais.
A retaliação de Israel fez mais de 71.550 mortos - entre os quais mais de 20.000 crianças - e mais de 172.000 feridos, na maioria civis, segundo números atualizados (com as vítimas das quebras do cessar-fogo por Israel) pelas autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.
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