Melo ataca "casta política" e promete fazer respeitar idosos e militares
- 12/01/2026
Estas posições foram assumidas pelo ex-chefe do Estado-Maior da Armada no jantar comício da sua candidatura em Alcobaça, após discursos do ex-presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, e do antigo ministro social-democrata Ângelo Correia.
"O imobilismo dos últimos 20 anos, associado à retórica cínica e ao cinismo de que nós estamos a ver nestas próprias eleições presidenciais, pode criar um populismo forte. Um populismo que pode vencer a democracia se todos nós não tivermos cuidado", advertiu o almirante no seu discurso, já depois de ter feito as suas habituais críticas ao atual sistema partidário.
Na sua intervenção, com mais de 30 minutos, insurgiu-se contra políticos que se terão manifestado contra a sua candidatura, por ser militar.
"Os tais da casta política, que acham que são uma oligarquia, que são os donos do sistema", especificou, antes de deixar um conjunto de perguntas: "Quando dizem que os independentes devem entrar para renovar a política estão a falar a sério ou a brincar?"
"Quais as qualidades militares que os senhores da política achavam que punham em perigo a democracia, o sentido de lealdade à pátria, o juramento de defender a pátria com a nossa vida, defender a Constituição e olhar os portugueses como um todo e não por partes? Qual destas coisas vos impressionam e vos deixam com sabor azedo?", perguntou o almirante, arrancando uma prolongada salva de palmas.
Neste contexto, elogiou, também, a missão dos agentes das forças de segurança e dos antigos combatentes no ultramar. Mas Gouveia e Melo foi particularmente incisivo quando se manifestou impressionado com as condições que encontra em alguns lares, que são "verdadeiros depósitos de idosos".
"Fere-me pensar que um dia poderia acabar assim. E já disse em jeito de brincadeira aos meus mais próximos. Se assim for, que me metam numa embarcação à vela e me deixem ir para o mar, sossegado, sozinho", disse, arrancando nova ovação.
Gouveia e Melo abordou também a crise no Serviço Nacional de Saúde (SNS), ponto em que voltou a deixar avisos sobre a sua atitude caso seja eleito Presidente da República.
"Vou dizer todos os dias ao governo, por favor, não voltem a anunciar no momento de falha do SNS que vão comprar ambulâncias. Não façam isso, porque isso é cinismo - e é isso que cria populismos depois a seguir", advertiu.
A seguir, afirmou nada ter contra este Governo PSD/CDS, nem contra os governos anteriores.
"A única coisa que tenho é contra este tipo de práticas. E podem ter a certeza que, se me escolherem, terei o meu dedo sempre na ferida e nunca a deixarei gangrenar", disse, elevando o tom da sua voz.
No início do seu discurso, Gouveia e Melo, que coordenou o plano de vacinação contra a pandemia da covid-19, dizendo que não recebeu qualquer medalha do Estado Português por essa missão -- uma referência que pareceu ter implícita uma crítica ao atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Começou por lembrar que ele e mais de 180 fuzileiros e militares da Marinha estiveram a ajudar o combate aos incêndios florestais de 2017 na zona de Pedrógão Grande.
"Mas também me lembro durante a pandemia dos autarcas, dos enfermeiros extraordinários, dos médicos, dos auxiliares de saúde, das pessoas e dos portugueses no processo de vacinação, para nos salvarmos a todos, para voltarmos a ter vida económica e para sairmos do sufoco em que estávamos todos. A vitória não foi só minha, a vitória foi coletiva", disse.
A seguir, neste contexto, avisou que ia revelar uma coisa ali em público.
"Não recebi nenhuma medalha por esse serviço. E graças a Deus não me atribuíram. Não me atribuíram porque a justiça acabou por ser quase que poética", comentou.
"A justiça poética", segundo o almirante, são os apoiantes da sua candidatura presidencial.
"Foram os senhores que me atribuíram essa medalha, quando gostam de mim, confiam em mim e são os meus apoiantes", acrescentou.
[Notícia atualizada às 23h01]














