Médio Oriente: Netanyahu exclui Autoridade Palestiniana de gestão de Gaza
- 03/02/2026
"O primeiro-ministro esclareceu que a Autoridade Palestiniana não se envolverá de forma alguma", disse o gabinete de Netanyahu, num comunicado após o encontro, a propósito da gestão do enclave palestiniano no pós-guerra.
Por outro lado, o chefe do Governo israelita avisou Steve Witkoff que não deve confiar em promessas do Irão, antes do encontro do enviado da Casa Branca com o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, previsto para sexta-feira na Turquia, que visa reduzir a tensão militar entre Washington e Teerão.
"Antes da viagem do enviado Witkoff para se encontrar com o representante iraniano, o primeiro-ministro deixou claro que o Irão demonstrou repetidamente que as suas promessas não são credíveis", assinalou o gabinete de Netanyahu, no mesmo comunicado.
Witkoff tem representado a Casa Branca nos seus esforços de mediação de conflitos, incluindo a Faixa de Gaza e a Ucrânia, e foi agora também destacado para dialogar com o Irão, em plena crise com os Estados Unidos.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem dirigido nas últimas semanas repetidas ameaças de ataque militar no Irão, que começaram por ser justificadas como uma resposta à repressão das autoridades de Teerão dos protestos antigovernamentais ao longo de janeiro, que provocou milhares de mortos.
Posteriormente, Trump exigiu também um acordo sobre a política nuclear de Teerão, reforçando as ameaças com o destacamento de uma frota naval dos Estados Unidos para o Médio Oriente, liderada pelo porta-aviões "USS Abraham Lincoln".
As forças armadas dos Estados Unidos reclamaram hoje que abateram um drone iraniano que se aproximava daquele porta-aviões no mar Arábico, no mesmo dia em que registaram outro incidente envolvendo um petroleiro com bandeira norte-americana e os militares da República Islâmica.
As conversações mantêm-se porém previstas para sexta-feira, segundo a Casa Branca.
Israel atacou o Irão em junho do ano passado, numa guerra entre os dois países que durou 12 dias, a que se juntaram os Estados Unidos, que bombardearam instalações ligadas ao programa nuclear iraniano, apesar de Teerão alegar que têm apenas objetivos pacíficos.
Este conflito ocorreu a par de outras frentes militares de Israel contra aliados do Irão, o Hezbollah no Líbano e o Hamas na Faixa de Gaza, tendo sido alcançados em ambos casos acordos de cessar-fogo, embora todas as partes insistam em acusações mútuas de violação.
No caso da Faixa de Gaza, a trégua foi alcançada em 10 de outubro no âmbito de um plano proposto pelos Estados Unidos e incluiu a troca de reféns (20 vivos e 28 mortos e todos já repatriados) por prisioneiros palestinianos, a retirada parcial das forças israelitas e a entrada de ajuda humanitária no território.
As próximas etapas preveem um governo de transição tecnocrático palestiniano, já constituído, o desarmamento do Hamas, a criação de uma força militar internacional e a reconstrução do enclave.
No plano da Casa Branca, o papel da Autoridade Palestiniana, que governou o território até o Hamas assumir o seu controlo em 2007, permanecia incerto.
A gestão quotidiana do território será confiada, a título transitório, a 15 membros do Comité Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), sob a autoridade do Conselho da Paz, por sua vez liderado pelo Presidente norte-americano, até que a Autoridade Palestiniana implemente um programa de reformas.
Witkoff aterrou hoje no aeroporto de Telavive, de onde seguiu para o encontro com Netanyahu, no qual participaram também o comandante das forças armadas de Israel, Eyal Zamir, e o diretor dos serviços secretos israelitas (Mossad), David Barnea.
A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 71 mil mortos, segundo as autoridades locais, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
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