Medidas são "incompreensivelmente tardias e insuficientes", diz PCP
- 01/02/2026
Numa posição escrita enviada à comunicação social, Vasco Cardoso, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP, reagiu ao pacote de apoios aprovado em Conselho de Ministros que poderá atingir os 2,5 mil milhões de euros para responder aos estragos provocados pela depressão Kristin, abrangendo famílias, empresas e entidades públicas.
"O Governo continua a negar a dimensão da tragédia. O anúncio de 2.500 milhões de euros para acudir ao grau de destruição da tempestade e do mau tempo que ainda perdura são profundamente insuficientes face aos impactos que estão à vista de todos", considerou o dirigente comunista.
O PCP sublinhou que "as populações e autarquias ficaram demasiado tempo entregues a si próprias" e ainda há "centenas de milhar de pessoas sem eletricidade", sem que o Governo ou a empresa E-Redes assumam um prazo para a reposição de energia.
"O Governo só agora é que avança para uma estrutura de missão, quando era evidente, como o PCP exigiu logo na quinta-feira, que se deveria criar uma estrutura de acompanhamento e intervenção que agregasse o conjunto de áreas", critica o partido.
Vasco Cardoso apontou que "o número de operacionais mobilizados para o terreno continua a ser insuficiente", apesar da resposta solidária das populações.
"Há meios que o país deve empenhar ainda mais e que o Governo continua a excluir. Incluindo meios militares e privados para responder às populações", apelou o dirigente comunista, que questiona como será feita a reconstrução de "dezenas de milhares de casas danificadas".
Para o PCP, "os dez mil euros de apoio que o Governo adiantou, que envolve também apoios às pequenas explorações agrícolas, ficarão na maioria dos casos aquém dos prejuízos".
"Não é também aceitável que os trabalhadores não recebam a totalidade do salário. O recurso ao 'lay-off' simplificado que o Governo anunciou, pressupõe essa perda, e isso não pode acontecer", contestou ainda o membro da Comissão Política do Comité Central do PCP.
Vasco Cardoso lamentou também que se desconheçam, até agora, "quais os apoios solicitados e quais os apoios efetivamente disponibilizados pela União Europeia".
"O Governo português deve exigir que se acionem o conjunto dos mecanismos de solidariedade existentes, como o PCP já colocou no Parlamento Europeu", apelou.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.
Após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou que a situação de calamidade foi prolongada até ao próximo domingo, avisou para o risco de novas inundações e defendeu que o Governo fez tudo o que era possível para prevenir responder à tempestade.
"Foi feito tudo aquilo que era possível fazer para prevenir e colocar todas as forças em prontidão, atempadamente, para enfrentar uma adversidade cuja evolução essa não era antecipável por ninguém", considerou.
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