Mau tempo: Rajada de 178 km/h registada pela Força Aérea em Monte Real
- 28/01/2026
O meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Nuno Lopes, adiantou, esta quarta-feira, que a base da Força Aérea em Monte Real, no concelho de Leiria, registou, primeiramente, rajadas de vento de 176 kh/h e, depois, de 178 km/h.
"Nas nossas estações, o que medimos em termos de intensidade do vento, foi o Cabo Carvoeiro com 149 km/h, Ansião com 146 km/h, Leiria com 142 km/h e depois temos mais um número de estações com um número bastante elevado, acima dos 100 km/h", começou por explicar, durante a conferência de imprensa, na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, na tarde desta quarta-feira.
E acrescentou: "Registo para a estação que não é nossa, mas é da Força Aérea, que está na base da Monte Real - nós contactámos a FA a pedir dados -, que nos informou que registou uma rajada com cerca de 176 km/h, por volta das 05h00, e uma seguinte com 178 km/h. A partir daí, deixaram de ter registos porque a estrutura ficou destruída".
O meteorologista referiu que é possível assumir que "aquela terá sido a zona mais provável de entrada". "Nós temos o radar, mas ainda não foi possível fazer o apuramento total", indicou.
De recordar que a depressão Kristin está a deixar estragos por todo o país. Cerca de 12 horas após ter chegado em força a Portugal continental, ainda é responsável por cerca de meio milhão de clientes estarem sem luz um pouco por todo o país.
Sublinhe-se ainda que o mau tempo provocou quatro vítimas mortais no país, de acordo com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). Três das vítimas foram no concelho de Leiria e uma em Vila Franca de Xira.
O que é o Sting jet?
O fenómeno que está no origem desta destruição é chamado de "sting jet", e, de acordo com o que explicou o especialista Nuno Lopes, do IPMA, é "raro".
De acordo com o que Nuno Lopes só há registos de outras duas situações semelhantes. Uma aconteceu em 2018, com a passagem do furacão Leslie, e uma outra com uma tempestade de 2009.
O fenómeno já foi explicado pelo IPMA, nomeadamente, num artigo dedicado ao furacão Leslie, que devastou uma das zonas também mais afetada agora (Figueira da Foz). Na altura, a rajada mais forte foi superior a 170 km/h.
"O sting jet é uma forte corrente descendente que, por vezes, se desenvolve no bordo oeste de depressões extratropicais, podendo alcançar a superfície. Nestes casos, as rajadas poderão ser superiores a 150 km/h numa área reduzida, tipicamente situada a sudoeste do núcleo da depressão", começam por explicar os especialistas, dando conta de que a formação deste fenómeno meteorológico "foi inicialmente estudada pelo grupo do Professor Keith Browning da Universidade de Reading, no final da década de 80".
Explica o IPMA que "as rajadas observadas junto à superfície resultam de processos evaporativos que ocorrem em níveis médios da massa nebulosa da tempestade."
Destes processos evaporativos resulta também o "arrefecimento e consequente transporte descendente do ar para níveis mais baixos, com aceleração progressiva."














