Mau tempo: "Parte substancial" do Governo "em condições de ir com cheias"
- 10/02/2026
Em conferência de imprensa após uma reunião do comité central do PCP, em Lisboa, Paulo Raimundo, questionado sobre se acompanha os apelos para a demissão da ministra da Administração Interna, afirmou que o "problema não é o ministro A, B ou C" e que será o primeiro-ministro a ter de assumir as responsabilidades, como já fez no passado quando "deu a cara" pela ministra da Saúde.
"Fez bem em dar a cara, terá que assumir também as responsabilidades em nome do Governo, das consequências. Eu registo positivamente, sem brincadeiras, que o primeiro-ministro dê a cara", salientou.
Paulo Raimundo considerou, contudo, que se a avaliação do executivo fosse feita pelo trabalho das últimas semanas não seria só Maria Lúcia Amaral a ter de sair do Governo, mas sim grande parte do elenco do executivo, dada as "prestações infelizes" dos governantes.
"Se nós fôssemos olhar para este processo de 15 dias, e se nós fôssemos avaliar as declarações e as prestações infelizes de cada um dos ministros, nós tínhamos que concluir que uma parte substancial, se fosse apenas por essa ordem de ideias, estava em condições de ir com as cheias", atirou.
O líder do PCP criticou o Governo pela lentidão da resposta "quando a situação exigia opções claras e rápidas, a mobilização de todo os meios necessários e a tomada de medidas urgentes" como a reposição da eletricidade, água e telecomunicações.
Questionado sobre levará este assunto para o debate quinzenal com o primeiro-ministro esta quarta-feira, Raimundo afirmou que "não tem um gosto particular" a que isso aconteça, mas que o assunto "dificilmente passará ao lado" da discussão.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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