Massa de ar tropical poderá impedir chuva forte no Baixo Mondego
- 11/02/2026
Questionado pela agência Lusa sobre a neblina cerrada que se mantém, há três dias, na região de planície entre Coimbra e a Figueira da Foz, e o seu efeito na precipitação, o meteorologista do IPMA Jorge Ponte indicou que a situação não é exclusiva do Baixo Mondego e deve-se a uma massa de ar tropical - mais quente e húmido e com muito conteúdo em vapor de água -, que fez subir as temperaturas do ar e tem as neblinas e nevoeiros persistentes como característica.
"O que acontece é que há zonas que têm mecanismos frontais, em que a precipitação é mais intensa, e noutras menos", disse o meteorologista, aludindo, para além da orografia - por exemplo de áreas montanhosas - a choques de massas de ar que aumentam a precipitação.
"Principalmente em zona de serra, os acumulados [de precipitação] vão ser superiores. Agora, os avisos têm sido mais pela persistência da precipitação, do que propriamente pela intensidade", esclareceu Jorge Ponte.
"É característico nestes tipos de massa de ar termos mais persistência de chuva durante muitas horas e um pouco menos de intensidade", reforçou.
Deste modo, especificamente em zonas de planície como no Baixo Mondego, o meteorologista do IPMA esclareceu que a precipitação será menos intensa do que em zonas montanhosas.
Notou, no entanto, que poderão suceder, localmente, e não de forma generalizada no país, situações pontuais no meio da massa de ar tropical com precipitação que seja mais intensa.
Durante a conversa com a Lusa, Jorge Ponte olhou para as imagens de radar meteorológico, pelas 09h00, e antecipou uma zona de convecção, com trovoadas dispersas, a montante de Coimbra (junto a Santa Comba Dão e à barragem da Aguieira).
Observou que, no meio desta massa de ar muito húmida, "que, no geral, traz este nevoeiro e esta 'morrinha', esta precipitação mais fraquinha, há locais onde ela vai cair mais intensamente, só que não é de uma forma abrangente, é mais local".
"No dia de hoje, pode acontecer a precipitação intensificar, em alguns períodos", avisou.
Na noite de terça-feira, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) alertou para "o risco claro" das margens do Mondego - rio que corre num canal artificial no Baixo Mondego - poderem colapsar e provocarem uma situação de cheia generalizada e descontrolada, face às previsões de forte precipitação.
A situação no Baixo Mondego levou a uma operação de emergência que previa a retirada de cerca de 3.500 pessoas de zonas ribeirinhas dos municípios de Coimbra, Soure e Montemor-o-Velho.
A zona do Baixo Mondego tem, há mais de uma semana, mais de 6.000 hectares inundados nos campos agrícolas do vale central e da ribeira de Foja (margem direita) mas também junto aos afluentes Ega, Arunca e Pranto, na margem esquerda, com alturas de água que chegam aos 2,5 metros em alguns locais.
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