Marta terá "impacto", mas "não tem nada a ver" com Kristin. Que esperar?
- 06/02/2026
Com mais uma depressão, denominada Marta, a chegar a Portugal já no sábado, os alertas e pontos de situação têm vindo acontecer ao longo do dia. Face a este novo fenómeno, a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) Maria João Frada referiu, esta sexta-feira que a situação "não tem nada a ver" com a tempestade Kristin, mas que ainda assim terá impacto e preveem-se rajadas de até 120 km/h.
De acordo com o que explicou à SIC Notícias, "vai haver um agravamento a partir do final da madrugada e início da manhã [de sábado], principalmente nas regiões Centro/Sul e diria que principalmente nas regiões a sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, embora o distrito de Leiria não esteja salvaguardado. É a norte do sistema, mas não está salvaguardado."
De acordo com Maria João Frada, pode esperar-se uma "intensificação do vento", que será inicialmente no quadrante sul e vai intensificar na altura acima referida, mas "o período pior será entre as 8h/9h" e até ao meio-dia, com possibilidade de este pior período se estender até às 15 horas.
"Preveem-se rajadas na ordem dos 100 ou 120 km/h, nos distritos do Litoral, principalmente de Lisboa para baixo, inclusive. Por isso: Lisboa, Setúbal, Beja, Faro. O distrito de Leiria não está salvaguardado, por isso poderá ter rajadas desta ordem de grandeza. E as Terras Altas com a mesma ordem de grandeza. E mesmo terras mais baixas, no interior da Região Sul, não está salvaguardado. São rajadas consideráveis", detalhou.
Kristin? "Não tem nada a ver"
Note-se que, ao início desta tarde, a ministra do Ambiente e da Energia, Maria Graça Carvalho, mostrou-se preocupada com o fenómeno que estava para chegar, dizendo: "Tivemos cinco tempestades seguidas, com muita, muita chuva. E, aproxima-se uma nova que é igualmente difícil, chamada Marta, muito, muito difícil, que vai entrar pelo Sul, da zona de Sines a Lisboa, de acordo com as previsões do momento, vai abranger a bacia do Sado, o Tejo e seguir para o Mondego. Portanto, muita preocupação em relação ao Sado, Alcácer do Sal, que já está muito marterizado", explicou, deixando um "abraço a todas as pessoas daquela região".
"Vamos ver como é que se vai passar com esta depressão", notou ainda.
Já a especialista do IPMA referiu que "porque os terrenos já estão completamente saturados e está tudo completamente saturado e empapado, pode dar mais estragos ainda. Pode haver estruturas nos distritos afetados pela Kristin que não estejam devidamente resguardados e protegidos. Havendo este vento é natural que haja deslizamento de terras, derrocadas e quedas de árvores. Mas isto não tem nada a ver com a Kristin."
Marta terá "impacto"... mas e o futuro?
Maria João Frade explicou que a Kristin "um fenómeno extremo e raro" e "espero que este ano não haja nada igual." "A depressão Marta tem características completamente diferentes da Kristin, não tem nada a ver", considerou, notando que este fenómeno que aí vem não será para desvalorizar, dado que virá a ter "impacto."
"O que se pode dizer é que estamos nos limites em termos de precipitação", afirmou, dizendo que no domingo, em princípio, não haverá chuva forte.
"Aparentemente, parece que os modelos nos indicam que a partir de 13, 14, 15, o anticiclone dos Açores que tem estado completamente cá para baixo, e não consegue impedir a passagem de ondulações frontais começa a crescer para Norte em relação ao território do continente e se for verdade esse cenário, começa a impedir a passagem dos sistemas frontais e então vai proteger pelo menos as regiões mais a sul da precipitação. Se esse cenário for assim, grande parte do território ficará já com um tempo muito melhor. Tirando o episódio de amanhã, não virão, à partida, dias com muito mais vento", explicou.
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