Marques Mendes aceita apelo do PSD mas recusa ser candidato do Governo
- 05/01/2026
Em declarações aos jornalistas, no final de uma visita à feira semanal de Espinho, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP foi questionado se teme que a dispersão de votos o ponha fora da segunda volta, um dia depois de Luís Montenegro ter entrado na sua campanha e avisado que a dispersão de votos pode facilitar candidaturas populistas nessa disputa.
"Não, eu não o temo, mas eu acho que a mensagem é correta, é correta", considerou, ainda antes de o seu adversário Gouveia e Melo ter acusado primeiro-ministro de tentar condicionar escolha do futuro Presidente com as suas palavras.
Marques Mendes disse ser claro que "há uma grande dispersão de votos ao centro", o que considerou que "não é bom para a democracia".
"Favorece o populismo por um lado, e favorece o experimentalismo por outro, e por isso eu acho que é mais saudável uma concentração de votos numa candidatura que é da moderação e que é da experiência. Neste momento, o caminho não é dispersar votos, é concentrar votos na moderação, na experiência e no consenso", apelou.
O antigo líder do PSD foi ainda questionado se não pode ser visto como o "candidato do Governo", respondendo que tal nunca lhe foi apontado nos muitos contactos com a população que tem tido.
"As pessoas acompanharam os meus comentários durante 15 anos, e na rua sistematicamente me dizem: 'o senhor é uma pessoa isenta e imparcial'. Porque é verdade, eu critiquei muitas vezes a minha própria família política, e acreditem que não é fácil", disse.
Mendes, que no domingo à noite disse querer, se for eleito, "ajudar a governar", clarificou que tal se aplica ao atual Governo PSD/CDS-PP como a qualquer outro.
"Deve ter uma boa cooperação estratégica e institucional com os governos, seja este, seja qualquer outro, mas ao mesmo tempo tem que ter firmeza a exigir resultados, são as duas coisas", disse.
Na feira de Espinho, Mendes teve uma receção calorosa, com muitos beijinhos e pedidos de selfies, mas também alguns alertas sobre a idade da reforma cada vez mais alta e os baixos valores das pensões ou de um ex-combatente, que acusou o Governo de ter passado "uma rasteira" a estes antigos militares, dizendo que nem todos os que lutaram recebem o mesmo.
"Mensagem passada, mensagem passada", respondeu Mendes.
Questionado depois, pelos jornalistas, se o incomodam estas críticas ao Governo, o candidato considerou tratarem-se "de desabafos".
"Não são críticas a mim, são críticas à situação, mas a circunstância de virem desabafar comigo significa que veem em mim potencial de Presidente da República", considerou, dizendo que "as pessoas querem mudança e para mudar é preciso reformar, para reformar é preciso estabilidade, e para haver estabilidade é preciso experiência".
"Vamos sempre bater ao valor da experiência", insistiu.
As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026.
Concorrem às presidenciais 11 candidatos, um número recorde. Caso nenhum consiga mais de metade dos votos validamente expressos, realizar-se-á uma segunda volta a 08 de fevereiro entre os dois mais votados.
Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
Esta é a 11.ª eleição, em democracia, desde 1976, para o Presidente da República.
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