Marés Vivas deixa Gaia e Matosinhos procura "negociar" festival
- 31/01/2026
Numa publicação na sua página oficial na rede social Facebook, Luís Filipe Menezes começa por recordar que, durante a campanha eleitoral, afirmou que aquele festival iria ser deslocalizado da freguesia da Madalena para o "interior do município".
Menezes diz ter apresentado "uma localização magnífica no interior do concelho, junto à CREP [Circular Regional Exterior do Porto], com melhores acessos e estacionamento" mas ter sido pressionado e até chantageado "para mudar o compromisso assumido perante o povo em campanha eleitoral".
"A pressão e a ameaça de muitos emissários com a notícia de que o festival ia mudar para outro concelho foi diária", escreve Menezes que diz ter dado "a todos" a "mesma resposta" de que "o Presidente da Câmara de Gaia só tem uma palavra e nenhum empresário manda aqui".
O autarca defende que "todo o território merece igual tratamento e o sucesso não depende do local mas do elenco" contratado, escrevendo mesmo que "o Mick Jagger em Olival teria sempre mais público que uma banda fatela no centro da capital do país".
"Assim, partimos para um novo ciclo, mas com a consciência limpa da palavra honrada e com a certeza que se tivermos uma ano de intervalo ninguém morrerá e que voltaremos outra vez ainda mais fortes com uma grande iniciativa", sublinha.
Sobre este novo ciclo, diz que já estar garantida este ano, em Gaia, a realização do Air Race e do Port Wine Fest, eventos "que vão ter mais de 20 vezes mais público que o falecido festival".
O autarca fala ainda num "São João diferente e muito melhor", animação semanal durante todo o verão no Jardim do Morro e Beira Mar, adiantando que "tudo leva a crer que ainda será este ano" que haverá "o primeiro festival de música no interior do concelho, que crescerá com o tempo e esmagará a soberba de quem julgava que mandava".
Menezes termina a publicação revelando que a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, "teve a gentileza" de perguntar se poderia negociar com "esses negociantes" e que a sua resposta "foi sim".
Também nas redes sociais, o vereador da oposição na Câmara de Gaia, o socialista João Paulo Correia, assinalava, perante a publicação de Menezes, que "infelizmente" Gaia tinha perdido o Marés Vivas para Matosinhos, algo que não considera inesperado ou surpreendente.
"A cada semana um retrocesso, um passo atrás. Vivemos um ciclo do pára, corte e tira. Desta vez cai uma das melhores marcas associadas a Vila Nova de Gaia, que marcou e uniu várias gerações", critica.
Contactada pela Lusa, a Câmara de Matosinhos não quis prestar declarações.
A Lusa tentou ouvir a promotora do evento, PEV Entertainment, sem sucesso. Nas redes sociais, na página do Meo Marés Vivas, pode hoje ler-se numa publicação: "vem aí uma nova maré".
A 20 de julho de 2025, no último dia da 18.ª edição do Marés Vivas, o diretor da PEV Entertainment anunciava que o festival de Vila Nova de Gaia iria regressar a 17, 18 e 19 de julho de 2026.
A 18.ª edição do festival teve lotação esgotada nos três dias, tendo passado pelo recinto 120 mil pessoas, segundo destacou então o responsável.
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