Marcelo apela a que não se corram "riscos excessivos" após Kristin
- 31/01/2026
"Apelo às pessoas para que, como aconteceu até hoje, (...) não se porem em situações de riscos excessivos. Eu sei que é difícil porque a própria casa é o próprio telhado, [as pessoas] querem ter condições para poder ficar lá e querem intervir rapidamente. Mas que pensem bem, se têm condições, e na dúvida, contactem alguém ligado ao sistema de proteção civil", apelou Marcelo Rebelo de Sousa, em Ferreira do Zêzere, no distrito de Santarém, à margem de uma visita aos estragos causados pelo mau tempo.
O chefe de Estado reagia à morte de um homem de 73 anos, que estava a arranjar um telhado e caiu.
"Revela uma coragem e uma determinação, é o querer ajudar a si mesmo, a resolver o problema, e às vezes ajudar os outros, mas que é arriscado", salientou o chefe de Estado.
Marcelo Rebelo de Sousa percorreu várias estradas do concelho de Ferreira do Zêzere, acompanhado do presidente da autarquia, Bruno Gomes, e pôde ver o rasto de destruição deixado pela depressão Kristin e ouvir as angústias da população.
Sobre a rede de abastecimento de eletricidade, referiu que "é impressionante de ver" como "é muito difícil de refazer rapidamente".
O chefe de Estado deixou, por isso, mais dois apelos: "É um apelo também ao poder central em termos de intervenção e apoio, mas é um apelo às populações que têm que fazer um esforço terrível".
Segundo evidenciou o Presidente da República, "há milhares e milhares de pessoas em muitas aldeias e lugares isolados e isso significa que há um desgaste contínuo".
"Um dia, depois outro dia, depois outro dia e, ao fim de alguns dias seguidos sem água ou eletricidade, as pessoas em situação de solidão, esse stress começa a ser complicado", alertou.
E continuou: "É um esforço enfim, de paciência, de bom senso, de esforço de resistência, nós portugueses somos muito resistentes e aqui é uma resistência difícil, sobretudo porque ainda não é seguro que tenham acabado as chuvas e que não haja ainda mais qualquer coisa", explicou.
Em Ferreira do Zêzere desde quarta-feira que não há eletricidade nem água:" Na vila é possível termos energia durante o dia de hoje, tudo o que são linhas de média tensão é possível que haja alguma celeridade, mas tudo o que é baixa tensão é extraordinariamente difícil, não há dias expectáveis de espera", admitiu o presidente da câmara de Ferreira do Zêzere.
Bruno Gomes garantiu que se está a "trabalhar nesse sentido", o de restaurar a energia, mas, salientou, "a linha de baixa tensão, toda ela, está muito comprometida".
"Não há capacidade humana para conseguir essa rede capilar em funcionamento (...). A maioria das estradas está desobstruída e temos as situações mais críticas referenciadas, mas sabemos que os próximos dias não vão ser fáceis porque as condições meteorológicas vão piorar", alertou o autarca.
Bruno Gomes deixou, por isso, também ele um apelo: "Confiem nas entidades, nos autarcas e reforcem aquele que é o sentido de união e de cidadania".
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No concelho da Batalha, distrito de Leiria, um outro homem de 73 anos morreu este sábado ao cair de um telhado quando estava a reparar as telhas.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
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