Manuel João Vieira? "Voto diferenciado, não de protesto. É voto niilista"
- 19/01/2026
António José Seguro e André Ventura passaram, na noite de domingo, à segunda volta das eleições presidenciais - que ocorrerá pela primeira vez em quarenta anos - e, um deles, será o próximo Presidente da República. Numa análise aos resultados - esta segunda-feira, dia 19 de janeiro, e num momento em que faltam apurar apenas 5 consulados -, é já possível perceber como se dividiram as escolhas dos portugueses e, por exemplo, atestar que Manuel João Vieira (1,08%) teve mais votos do que Jorge Pinto (0,68%), o candidato apoiado pelo Livre.
Após uma campanha em que apostou no 'nonsense' - prometendo, entre outras medidas, um Ferrari para cada português ou vinho canalizado em todas as casas -, o músico ficou em oitavo lugar, de um total de 11 candidatos. Mas a que se deve o facto de um político não profissional (e com promessas 'fora da caixa') ficar à frente de um candidato apoiado por um partido?
Ao Notícias ao Minuto, António Costa Pinto foi taxativo: "Não faço a mínima ideia". O politólogo começou por salientar que "Manuel João Vieira não é o único candidato deste género", sendo que "temos outros candidatos – até de origens sociais bastante diferenciadas –, que tiveram resultados semelhantes".
"Manuel João Vieira tem algumas características particulares e a primeira é que vem de classe média-alta. É filho de um pintor consagrado chamado João Vieira e tem uma atividade nos meios culturais relativamente conhecida, num ambiente micro", dissertou, acrescentando: "Portanto, ter os resultados que teve, sobretudo num pequeno eleitorado mais niilista – que em vez de votar em branco vota Manuel João Vieira - não me parece ser muito problemático nem muito difícil de explicar."
"É um voto diferenciado, não é um voto de protesto no sentido de Ventura. Não é um voto politizado, é um voto niilista", frisou ainda António Costa Pinto.
Já quanto a Jorge Pinto, o politólogo vincou que "não tem nada a ver com o assunto". "Não há ninguém que vote em Jorge Pinto que vote em Manuel João Vieira".
"Jorge Pinto era um candidato do Livre, um partido que cresceu com base em algum eleitorado do Bloco de Esquerda que, fundamentalmente, já tinha votado socialista – e esse voto migrou para António José Seguro, seguindo, aliás, os próprios altos e baixos da candidatura" do nome apoiado pelo Livre.
Como foram os resultados da primeira volta?
António José Seguro foi o grande vencedor da noite eleitoral, tendo 'arrecadado' 31,1% e cerca de um milhão e 700 mil votos. Em segundo ficou André Ventura, outro dos candidatos que pode 'cantar vitória', conseguindo obter 23,5% e cerca de um milhão e 300 mil votos.
Ainda de acordo com os dados oficiais da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI), em terceiro lugar ficou João Cotrim de Figueiredo, com 16% e aproximadamente 902 mil votos, seguido de Henrique Gouveia e Melo (12,32% e cerca de 695 mil votos), Luís Marques Mendes (11,30% e cerca de 637 mil votos), Catarina Martins (2,06% e aproximadamente 116 mil votos) e António Filipe (1,64% e cerca de 92 mil votos).
Em oitavo lugar surgiu então Manuel João Vieira, com 1,08% da votação - 60.899 votos -, e, em nono, Jorge Pinto, com 0,68% e 38.536 votantes. Nos últimos dois lugares ficaram André Pestana da Silva (0,19% e 10.893 votos) e Humberto Correia (0,08% e 4.622 votos).
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