Manifestação pela Palestina termina em Lisboa com "Grândola, Vila Morena"
- 29/11/2025
Durante hora e meia, milhares de manifestantes percorreram as ruas entre os Restauradores e a Praça do Duque da Terceira, no Cais do Sodré.
A música e as palavras de ordem estiveram presentes ao longo de todo o percurso, efusivamente registado por turistas que foram sendo surpreendidos pelo colorido da manifestação.
Júlio Cardoso, 34 anos, saiu de Setúbal para participar na manifestação. Com o telemóvel a registar todos os movimentos, disse à Lusa que é presença assídua nas ações pela Palestina.
"Quem é que pode ficar indiferente? Não é uma questão de moda. Não basta usar 'keffiyeh' [lenço preto e branco, tradicional da Palestina). É preciso ir para a rua, para enchermos as ruas", afirmou.
Este informático diz que se corresponde com várias pessoas na Faixa de Gaza e que tem sido um tormento ver "o que estão a fazer a este povo".
"Não têm descanso, não têm ajuda. Tem sido uma carnificina em direto", lamentou.
No Cais do Sodré, junto a um palanque da central sindical CGTP, os manifestantes cobriram parte do chão com bandeiras, uma delas gigante, da Palestina, e ouviram as palavras de algumas das organizações que promoveram esta ação de solidariedade.
Luna Ribeiro, 23 anos, não largava a sua bandeira da Palestina. Estudante de arquitetura, participou com os amigos e prometeu estar presente em todos os protestos, pois acredita que "um dia o mundo vai abrir os olhos".
"O mais horrível é ver as crianças, o futuro, a morrer, a passar fome. Como é que é possível?", perguntou, agarrada ao pano com as cores preta, branca, verde e vermelha.
No palanque, Isabel Camarinha, do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), sublinhou a forte participação na manifestação, tanto em Lisboa como no Porto, demonstrando que "os portugueses estão com a Palestina".
"Israel persiste na continuação da sua ação criminosa", disse, referindo que desde o início do cessar-fogo Israel violou o acordo mais de 500 vezes, além de "impedir a entrada de ajuda humanitária".
Diniz Lourenço, da CGTP, lembrou a violência, que "é devastadora", e as dificuldades que enfrentam os que regressaram a casa após o cessar-fogo, sem meios de reconstruir as suas habitações, muitos sem emprego e sem respostas em áreas como a saúde e a educação.
Deixou a garantia de que "o povo português seguirá solidário" com a causa palestiniana e prometeu que na próxima greve geral, marcada para o dia 11 de dezembro, a bandeira da Palestina será erguida.
Inês Jorge, do Projeto Ruído, alertou para o drama das crianças na Palestina, afirmando que morreram mais crianças na Faixa de Gaza desde outubro de 2023 do que em todos os conflitos nos últimos quatro anos.
E afirmou que os jovens portugueses são solidários e sempre estiveram presentes nas lutas, não só nas de Portugal, como nas de outros jovens.
"Levamos a Palestina para as aulas, faculdades, para dentro das casas dos jovens", referiu.
Carlos Almeida, vice-presidente do Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM), lembrou os 70.000 mortos desde o início da "campanha genocida" de Israel na Faixa de Gaza, onde "a fome é uma realidade diária".
E aproveitou para criticar a alegada produção, pela Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM) portuguesa de dois milhões de moedas para o Estado de Israel, conforme denunciaram algumas organizações recentemente.
A manifestação de hoje encerrou a Campanha de Solidariedade com o Povo Palestino "Todos pela Palestina! Fim ao genocídio! Fim à ocupação", organizada pelo CPPC, a CGTP-IN, o MPPM e o Projeto Ruído.
A esta campanha, lançada em setembro, associaram-se 158 organizações, associações e coletivos.
[Notícia atualizada às 19h24]
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