Mais de dois milhões de pessoas enfrentam a fome no Quénia devido à seca

  • 09/02/2026

Nas últimas semanas, multiplicam-se as imagens de animais muito magros na zona árida perto da fronteira com a Somália, numa região que sofre com os efeitos das alterações climáticas.

 

Nos últimos anos, as estações chuvosas tornaram-se mais curtas para algumas comunidades, expondo-as à seca e, normalmente, os animais são os primeiros a morrer.

Entre 2020 e 2023, milhões de animais morreram na região que se estende do Quénia a partes da Etiópia e da Somália. Na altura, uma fome prevista para a Somália foi evitada por um aumento da ajuda internacional.

Quatro estações chuvosas consecutivas falharam em zonas do Corno de África, que se estende para o Oceano Índico.

A estação das chuvas de outubro a dezembro foi uma das mais secas de que há registo, de acordo com a agência de saúde da ONU. Como as chuvas foram breves, partes do leste do Quénia registaram o nível de seca mais elevado desde 1981.

Cerca de 10 condados no Quénia estão a enfrentar condições de seca, de acordo com a Autoridade Nacional de Gestão da Seca.

O condado de Mandera, no nordeste do país, na fronteira com a Somália, atingiu a classificação de "alerta", o que significa que a escassez crítica de água levou ao definhamento de crianças e à morte de animais.

O sofrimento estende-se à Somália, à Tanzânia e ao Uganda, onde muitos estão ameaçados por padrões climáticos e escassez de água semelhantes, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) no final de janeiro.

No sul da Somália, uma avaliação do grupo de ajuda humanitária Islamic Relief constatou "uma escassez alarmante de alimentos, à medida que as famílias fogem da seca que se agrava na região".

Na Somália, um país há muito vulnerável à seca, mais de três milhões de pessoas abandonaram as suas casas em busca de um abrigo em campos para deslocados internos.

Segundo a Islamic Relief, o apoio não é suficiente, com 70% dos deslocados internos na cidade de Baidoa a sobreviverem com uma refeição por dia, sendo as crianças nos campos as que apresentam "sinais visíveis de desnutrição e emagrecimento".

Os especialistas dizem que muito do que está a acontecer se deve às alterações climáticas.

África é particularmente vulnerável a eventos climáticos extremos porque está menos preparada para enfrentar catástrofes naturais. Apesar de contribuir apenas com 3% a 4% das emissões globais, segundo a ONU, o continente é um dos mais expostos aos efeitos das alterações climáticas.

Leia Também: Haiti. Conselho presidencial dissolvido após tensão com primeiro-ministro

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2936057/mais-de-dois-milhoes-de-pessoas-enfrentam-a-fome-no-quenia-devido-a-seca#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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