Mais de 250 bibliotecas públicas com danos causados pelas tempestades
- 13/02/2026
"De acordo com a informação recolhida pela DGLAB [Direção-Geral do Arquivo dos Livros e das Bibliotecas] e que se mantém em atualização, 52% das bibliotecas da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, maioritariamente localizadas na região centro do país, indicaram ter sido afetadas pelo mau tempo das últimas semanas", disse à Lusa Bruno Eiras, subdiretor-geral daquele organismo.
O responsável adiantou que este é o balanço possível no momento, uma vez que os "contactos com as bibliotecas não estão a ser tão rápidos" como desejável, "não conseguindo manter a informação atualizada".
Além disso, "a continuidade do tempo de chuva tem criado novas situações", alertou.
De qualquer modo, os dados recolhidos indicam que das quase 255 bibliotecas atingidas pelas sucessivas tempestades que assolam o país desde 28 de janeiro, 80% dizem respeito a infiltrações e inundações de pequenas dimensões ou a situações externas às bibliotecas como falhas de eletricidade e comunicações.
As restantes informaram pequenos impactos, alguns relacionados com problemas preexistentes, e muitas relatam dificuldades por parte de alguns trabalhadores em chegar às bibliotecas.
Apesar dos danos verificados, 78% das bibliotecas indicaram ter conseguido manter-se em funcionamento, enquanto os restantes 22% tiveram de encerrar alguns espaços ou serviços, acrescentou Bruno Eiras, sem especificar quais as bibliotecas em causa.
No entanto, revelou que "os casos mais graves" de que teve conhecimento "ocorreram nas Bibliotecas Municipais de Alcácer do Sal, Santarém, Leiria, Caldas da Rainha, Pombal e Marinha Grande, onde os espaços ou mesmo as estruturas foram bastante afetadas".
No dia 04 deste mês, quando ainda só se faziam sentir os impactos da depressão Kristin, a diretora da Biblioteca Municipal de Pombal, Daniela Martins, revelou à Lusa que aquela estrutura sofrera "estragos significativos no piso superior e na parte de trás".
"Está com infiltrações e falta de coberturas. Uma janela ficou partida e outras duas janelas grandes foram projetadas, tendo destruído alguns computadores sobre os quais caíram", indicou na altura, especificando que ficaram também destruídas a parte interna do edifício e a oficina", mantendo-se em funcionamento apenas a parte da frente, servindo a população afetada.
Quanto à biblioteca da Marinha Grande, já naquela altura era uma das que tinham tido "mais estragos", tendo perdido a cobertura, que impedia a entrada da água, segundo a responsável, que disse ainda que as estantes e os livros estavam cobertos com plásticos, para tentar minimizar os danos.
Bruno Eiras destacou "o trabalho de apoio às comunidades que muitas bibliotecas têm dado desde os primeiros dias".
"As características das bibliotecas públicas e dos seus trabalhadores atribuem-lhes especial importância na ajuda às populações, como locais abertos a todos, gratuitos e seguros e onde os profissionais podem apoiar as populações na procura de informação relevante e na utilização dos equipamentos informáticos", realçou.
Em muitos municípios, as bibliotecas públicas foram os primeiros locais a disponibilizar-se para prestar serviços às populações para carregar telemóveis e computadores, aceder à Internet, ter um espaço para trabalhar, estudar, contactar familiares ou ainda, simplesmente, como um local confortável para estar face às tempestades, assegurou o responsável.
"Várias bibliotecas também adaptaram os seus horários de funcionamento para melhor responderem à procura e tentaram estar alinhadas com as estratégias municipais", acrescentou.
Esse foi o caso da Biblioteca Municipal de Pombal que devido à procura alargou o horário de funcionamento para o período das 09:00 às 20:00, sem interrupções, de segunda-feira a sábado, segundo a diretora.
Desde o início do ano que Portugal tem sido assolado por uma sequência de depressões, como parte do chamado comboio de tempestades, com ventos extremos e chuva forte, que causaram impactos severos em infraestruturas e comunidades, afetando sobretudo as regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, as mais violentas.
Os fortes temporais fizeram ainda dezasseis mortos e muitas centenas de feridos e desalojados.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Leia Também: Câmara da Guarda confirma buscas e "total disponibilidade" para colaborar













