Mãe de menino com coração "queimado" diz: "Enquanto respirar, está vivo"
- 19/02/2026
A mãe do menino de dois anos e três meses que foi submetido ao transplante de um coração que estava "queimado", no passado dia 23 de dezembro, assumiu que, enquanto o seu filho "respirar", não o abandonará, uma vez que "está vivo".
"Os especialistas decidiram que não, por isso não haverá um novo transplante. Mas, enquanto o meu filho respirar, está vivo, por isso não o vou abandonar", disse Patrizia, citada pelo Corriere della Sera.
Depois da notícia de que tinha sido encontrado um coração compatível para Domenico, que se encontra internado no Hospital Monaldi, em Nápoles, Patrizia e o marido foram da esperança à deceção.
"Não sei se pediremos outras opiniões. Agora a minha cabeça está noutro lugar, depois falarei com o meu advogado e avaliaremos", confessou, na noite de quarta-feira.
Patrizia chegou à unidade hospitalar de manhã cedo, acompanhada pelo marido. Em suspenso, o casal aguardou por novidades nos corredores, informando os advogados e os familiares em tempo real. A mulher recebeu a decisão negativa dos peritos com lágrimas contidas, abraçada ao marido. Mostrou-se, depois, resignada com a ideia de que o filho não sobreviverá, e frisou que tem de "ser forte, porque [tem] outros dois filhos".
"Pedi ao presidente Fico para que o meu filho seja lembrado e que tudo o que aconteceu não seja esquecido. Devem-me isso, para que isto nunca mais aconteça", disse, após a visita do governador de Campânia, Roberto Fico.
O responsável, por seu turno, salientou que este "é um caso muito doloroso", tendo dndo conta de que ativou "imediatamente os máximos poderes de vigilância, controlo e inspeção da região".
"Recebi um relatório de 290 páginas que enviei ao ministro [da Saúde, Orazio] Schillaci, com quem também tive uma reunião que já estava agendada", complementou.
Já o tutelar da pasta da Saúde realçou que "o parecer negativo escreve um epílogo diferente daquele que todos esperávamo, mas é preciso seguir as indicações da ciência".
"Com o Centro Nacional de Transplantes, trabalhámos com empenho e seriedade para garantir novas oportunidades à criança. Estamos próximos da família e aguardamos os resultados das investigações. É o nosso dever esclarecer a situação", disse.
Domenico não sobreviveria a um novo transplante
Note-se que, ao final da tarde de quarta-feira, o comité de especialistas que se reuniu na unidade de saúde napolitana para avaliar a viabilidade de um novo transplante emitiu um parecer negativo. Os profissionais de saúde tiveram em conta o facto de que o menino sofreu uma nova hemorragia cerebral, assim como uma crise séptica devido a uma infeção. Além disso, não respondeu os estímulos, apesar de a sedação ter sido reduzida.
Em coma induzido há 58 dias, Domenico não sobreviveria a um novo transplante, na opinião dos médicos. Assim, foi comunicado ao Centro Nacional de Transplantes que o coração compatível que foi encontrado na terça-feira à noite deveria destinar-se a um dos dois outros pacientes considerados aptos para o procedimento.
O Ministério Público de Nápoles apurou que a caixa frigorífica utilizada para transportar o coração ("queimado") de Bolzano até Nápoles era de "geração antiga", pelo que não cumpria as diretrizes em vigor. Tratava-se, aliás, de um modelo "ultrapassado", composto por um recipiente isotérmico tradicional em plástico, sem termóstato, sondas e ecrã para controlar em tempo real a temperatura do órgão.
Seis cirurgiões, médicos e paramédicos da instituição napolitana que participaram na remoção do coração do dador em Bolzano, assim como no acondicionamento do órgão, no transporte e no subsequente transplante, estão sob investigação por lesão corporal grave.
Após a remoção do órgão, os profissionais de saúde do Hospital San Maurizio de Bolzano terão fornecido gelo seco à equipa napolitana, em vez de gelo tradicional. Significa isso que o gelo seco, que atinge temperaturas significativamente mais baixas do que o tradicional, terá provocado danos irreparáveis às fibras do músculo cardíaco, tornando o coração inutilizável.
O Ministério Público de Bolzano também abriu um inquérito ao caso.














