Maduro vs Noriega: As semelhanças (e diferenças) da captura dos ditadores
- 03/01/2026
A última vez que os Estados Unidos depuseram um líder latino-americano foi em dezembro de 1989, depois de as forças norte-americanas terem capturado o general Manuel Noriega no Panamá. Volvidos 36 anos, o alvo foi o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
Segundo relata o The New York Times, há semelhanças com o caso de Nicolás Maduro, que foi capturado na madrugada deste sábado [manhã em Portugal] após uma operação militar ordenada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
O presidente da altura, George H.W. Bush, enviou tropas norte-americanas para o Panamá, em dezembro de 1989, com o objetivo de capturar Manuel Noriega, um ditador militar que governou aquele país durante seis anos.
O general refugiou-se na Embaixada do Vaticano na capital do Panamá. No entanto, acabou por ser apanhado, tendo depois sido levado para os Estados Unidos, onde foi julgado e preso.
Quais são as semelhanças (e diferenças) entre os dois casos?
Tanto Manuel Noriega como Nicolás Maduro foram indiciados por tráfico de droga. O primeiro foi acusado pelas autoridades norte-americanas de receber milhões de dólares em subornos de traficantes de drogas e de transformar o Panamá numa capital de contrabando internacional de cocaína.
Meses antes de ambas as capturas, note-se, os Estados Unidos reforçaram a sua presença militar em ambos os países.
Para o Panamá, na altura, o presidente Bush enviou cerca de 2.000 soldados e fuzileiros navais para reforçar os 10.300 militares que já se encontravam no país. As tropas realizaram diversos exercícios militares, que os Estados Unidos alegaram fazer parte dos seus direitos garantidos em tratados anteriores.
No entanto, houve quem interpretasse estas ações como uma tentativa de pressionar o general Noriega.
Uma situação idêntica àquela que se verificou nos últimos meses por parte dos Estados Unidos na Venezuela, uma vez que Donald Trump tinha vindo a reforçar a presença militar nas Caraíbas, tendo autorizado ataques contra embarcações de narcotraficantes.
De salientar que Manuel Noriega e Nicolás Maduro tiveram reações muito diferentes às ameaças norte-americanas.
O general Manuel Noriega, que controlava a Assembleia Nacional, declarou que o Panamá estava em guerra com os Estados Unidos, dias antes de os americanos invadirem o país. Quando começou o ataque, o general fugiu com a sua amante e escondeu-se, tendo aparecido uma vez num restaurante antes de se refugiar na Embaixada do Vaticano, na Cidade do Panamá.
Noriega foi capturado depois de um impasse que durou vários dias, com as tropas norte-americanas a cercarem as instalações onde se encontrava e terem até usado colunas de som onde soou música de bandas como Black Sabbath ou Guns N'Roses.
Por outro lado, Nicolás Maduro disse, ainda esta semana, em declarações a um jornalista espanhol, que estava ansioso por trabalhar com os Estados Unidos por forma a evitar conflitos.
Aliás, Donald Trump, numa entrevista à Fox News, referiu que, nos últimos dias, Nicolás Maduro quis negociar. Uma 'oferta' que foi negada pelo presidente norte-americano.
"Eu não queria negociar. Eu disse: 'Não temos que fazer isso'", afirmou Trump.
De recordar que a operação militar levada a cabo pelos Estados Unidos na Venezuela, este sábado, foi treinada e ensaiada durante vários meses, tendo, inclusive, sido usada uma réplica da casa de Nicolás Maduro.
Na operação militar que ocorreu no Panamá, em 1989, participaram 27.000 soldados, dos quais 23 morreram. Já no ataque realizado este sábado, o chefe do Estado-Maior, Dan Caine, adiantou que foram utilizadas 150 aeronaves e que, desde novembro, estavam destacados nas Caraíbas cerca de 15.000 militares.
De notar que, nesta operação, não houve nenhum soldado norte-americano morto.














