Macron chega à Índia para reforçar parceria e negociar caças Rafale
- 16/02/2026
"Três dias de Mumbai a Nova Deli para aprofundar ainda mais a nossa parceria estratégica", escreveu Macron na rede social X à chegada a Mumbai, de onde seguirá depois para Nova Deli para uma cimeira sobre inteligência artificial.
A visita do líder francês, a quarta à Índia desde 2017, acontece depois da confirmação, na quinta-feira, da intenção das autoridades indianas em fazer uma encomenda recorde de caças Rafale e também do mega-acordo de comércio livre recentemente firmado entre a UE e Nova Del.
"Cento e catorze Rafale, 30 mil milhões de euros --- é o contrato do século! Uma espécie de conquista extraordinária!", comentou Christophe Jaffrelot, especialista em assuntos da Índia do Instituto de Estudos Políticos de Paris, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP)
Até à data, foram vendidas 299 aeronaves Rafale para o exterior. A Índia adquiriu 36 para a Força Aérea em 2016 e 26 para a Marinha até 2025.
En route to India!
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) February 16, 2026
Three days from Mumbai to New Delhi to take our strategic partnership even further.
On board with me: business leaders and the economic, industrial, cultural and digital players who give real, tangible life to the ties between India and France.… pic.twitter.com/k3Q9fSckWs
As negociações com o fabricante Dassault para a aquisição de 114 aeronaves adicionais, destinadas à Força Aérea e fabricadas em grande parte na Índia, ainda têm de ser finalizadas.
O Palácio do Eliseu mostrou-se otimista quanto à conclusão deste "contrato histórico" e que deverá centrar as atenções durante a visita de Macron.
O Presidente francês e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, vão também inaugurar, por videoconferência a partir de Mumbai, na terça-feira, uma linha de montagem de helicópteros Airbus H125, civis e militares, localizada perto de Bangalore, no sul da Índia.
"Com esta visita, procuramos reforçar ainda mais a cooperação", afirmou a presidência da França, que tenciona também diversificar as parcerias económicas e comerciais, numa altura em que a Índia, o país mais populoso do mundo, com 1,4 mil milhões de habitantes, está a caminho de se tornar na quarta maior economia global.
O objetivo é também lidar com as crescentes incertezas geradas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, a guerra tarifária do republicano e constantes ataques diplomáticos, bem como com a ascensão da China.
O volume do comércio bilateral de França e Índia, impulsionado pelos setores da defesa e aeroespacial, no qual o mercado indiano é predominantemente equipado com aviões Airbus, ronda os 15 mil milhões de euros.
Além disso, quase 13 mil milhões de euros em investimentos diretos estrangeiros franceses estão aplicados na Índia.
Na viagem participam quatro ministros franceses, incluindo os titulares das Forças Armadas, Catherine Vautrin, e da Economia, Roland Lescure.
Cerca de 100 líderes empresariais franceses, entre os quais da Dassault, da Schneider Electric e da Mistral AI, bem como representantes de pequenas e médias empresas e 'startups', também participarão na visita.
São esperados anúncios e contratos em áreas como saúde, agricultura e também na inteligência artificial, um setor no qual Paris ambiciona uma maior cooperação com Nova Deli, afirmou o Palácio do Eliseu.
No entanto, persiste um grande ponto de discórdia entre os dois países, relacionado com a invasão russa da Ucrânia.
A Índia nunca condenou a invasão de Moscovo iniciada em 2022 e continua a adquirir petróleo russo, apesar das sanções internacionais, enquanto a França é um dos principais aliados ocidentais de Kiev.
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