Luta com "Not Like Us" de volta. Drake recorre após decisão do tribunal
- 24/01/2026
Se achávamos que a luta com "Not Like Us" já tinha chegado ao fim... não é bem assim. Três meses depois de o processo movido por Drake contra a Universal Music Group por suposta difamação em relação à música de Kendrick Lamar, agora o caso volta a estar em cima da mesa. Isto porque Drake decidiu recorrer da decisão do tribunal e reativar o seu pedido de indemnização.
Drake entrou com um recurso depois do processo contra a sua própria editora ter sido rejeitado por um juiz federal, em outubro de 2025. Na época foi declarado que a "guerra de palavras" usada na música "Not Like Us", de Kendrick Lamar, durante a "acalorada batalha de rap" não era difamatório.
Mas agora foram apresentados novos documentos judiciais, na quarta-feira, dia 21 de janeiro. De acordo com a revista People, os advogados do músico, de 39 anos, argumentaram que a decisão do juiz era "perigosa" e criava um precedente.
A People menciona ainda que os advogados de Drake acrescentaram - no processo apresentado esta semana - que "milhões de pessoas entenderam [a música] como uma forma de transmitir informações factuais, levando várias pessoas no mundo inteiro a acreditarem que Drake era um pedófilo".
A Rolling Stone também teve acesso ao documento de 60 páginas e relata que Drake diz que a música de Lamar afirma, de forma "inequívoca", que ele é um "pedófilo assumido". Também alega que a Universal Music Group comercializou a música "incansavelmente" de uma maneira que enganou os consumidores e lhe causou sérios danos.
De acordo com a Rolling Stone, o rapper alega ainda que a rejeição do seu processo pode ter consequências futuras. Isto porque, diz, ao decidir que as diss track são opiniões não passíveis de ação judicial, o tribunal de primeira instância criou uma "regra categórica perigosa" que protegeria os artistas e editoras da responsabilidade por difamação, independentemente de quão direta ou prejudicial uma declaração possa ser.
"O tribunal criou efetivamente uma regra categórica sem precedentes e excessivamente ampla, segundo a qual as declarações em diss track nunca podem constituir declarações de facto", afirma.
"Se as diss track não podem conter declarações factuais, então estão isentas de qualquer responsabilidade por difamação - independentemente de quão diretas e prejudiciais sejam as declarações difamatórias que contêm", escreveu o advogado Michael J. Gottlieb num documento judicial, segundo a People. "Este caso ilustra isso mesmo."
"É difícil imaginar uma afirmação mais prejudicial à reputação e segurança de alguém do que ser rotulado como «pedófilo certificado», o que provoca reações intensas e estimula retaliações violentas", acrescentou Michael J. Gottlieb. "A decisão do tribunal ignora o risco de danos concretos à reputação que pode resultar em violência."
Recorde toda a história por trás de "Not Like Us", que levou à guerra judicial de Drake contra Kendrick Lamar e a sua própria editora
Foi em maio de 2024 que Kendrick Lamar, de 37 anos, lançou "Not Like Us" numa altura em que estava envolvido numa batalha de rap com Drake. Este desentendimento entre os artistas levou ao lançamento de vários temas e também à demonstração do poder de resposta (e encaixe) de ambos.
"Not Like Us" veio só dar mais força ao beef (desavença) dos rappers, e chegou depois de Kendrick Lamar ter lançado "Euphoria", "6:16 In LA" e "Meet The Grahams". Em "Meet The Grahams", de lembrar, o rapper alega que Drake tem uma filha de 11 anos que mantém 'escondida'.
Drake deu resposta e apresentou alguns temas em que lança rumores/acusações polémicos/as contra Kendrick Lamar, como em "Family Matters", onde alega que Lamar agrediu a mulher.
Mesmo no meio de toda esta guerra judicial, "Not Like Us" valeu a Kendrick Lamar uma vitória nos Grammys, no ano passado, com o prémio de Canção do Ano.
Este foi também um dos temas escolhidos para a atuação de Kendrick Lamar no intervalo do Super Bowl, em fevereiro do ano passado, dias depois da gala dos Grammys. O espetáculo foi assistido por 127,7 milhões de pessoas, adianta a People, tendo sido a maior audiência do Super Bowl na história da televisão.
Na altura, apesar de durante a atuação ter sido omitida a palavra "pedófilo", Kendrick Lamar fez um sorriso ao olhar para a câmara quando cantou: "Diga Drake, ouvi dizer que gostas das novinhas", e a expressão "minor" foi gritada por todo o estádio.















