Lusodescendente deixa a clandestinidade para exigir liberdade dos presos políticos

  • 02/02/2026

Filha de emigrantes de Setúbal, Tavares, que foi porta-voz da direção de campanha da líder opositora Maria Corina Machado nas eleições presidenciais de 2024, agradeceu o empenho "importante", mas "tímido" de Portugal na defesa dos seus cidadãos e reafirmou o seu compromisso com a liberdade e a democracia na Venezuela.

 

"Estive 18 meses na clandestinidade, desde 29 de julho [de 2024], desde que começou a forte repressão nas ruas para silenciar os protestos das pessoas para reclamar os resultados [oficiais], das eleições. Permaneci firme, em resistência, sem abandonar um único dia a luta", disse à Agência Lusa.

Tavares, que domingo teve "um emotivo e espiritual" reencontro com familiares em Caracas, explicou que ao ver "a repressão tão forte" decidiu inicialmente "ficar em casa, sem participar em atividades políticas ou públicas, à espera para ver se as coisas acalmavam".

"Mas depois começámos a ver que se tornou terrorismo de Estado (...) que qualquer pessoa podia ser presa, desde um líder político a uma testemunha de uma assembleia eleitoral, a quem se queixasse da má qualidade dos alimentos do CLAP [subsidiados pelo Estado], ou fizesse um comentário numa rede social", disse.

Foi então que percebeu que "não havia Estado de Direito" e que as detenções eram precedidas "por um desaparecimento forçado".

"As pessoas passavam meses sem que as famílias soubessem onde estavam [presas], para onde tinham sido levadas e sem possibilidade de nomear advogados privados", disse, precisando que como secretária-geral de uma organização política aliada de Maria Corina, que apoiou a candidatura de Edmundo González, era "um objetivo".

O regime, disse, prendeu colegas que davam formação em luta civil não violenta, e entendeu que era necessário abandonar o país ou conseguir a logística e os espaços adequados para passar à clandestinidade.

"Isso obrigou-nos a suspender as redes sociais, a auto-censurar-nos, e a tomar medidas para proteger-nos", frisou.

No entanto, opina que "os riscos persistem", mas que "hoje há uma espécie de trégua, que não inspira muita confiança", sendo "necessário vencer o medo".

"Propormos lutar pelo processo que alguns dizem ser o início de uma transição", disse vincando a importância de evoluir para uma democracia com eleições com resultados reais e reconhecidos, restabelecer a plena vigência da Constituição e o Estado de Direito no país.

"Se simplesmente houver uma transição do madurismo para o rodrigato [irmãos Delcy e Jorge Rodríguez], independentemente do possível progresso económico decorrente dos negócios incentivados por Washington, sem liberdades, esses progressos económicos são fúteis e a longo prazo não vão dar resultados", disse.

Tavares insiste que urge fixar lapsos de tempo para as etapas da transição e que devem realizar-se eleições o quando antes possível.

A lusodescendente explicou ainda que depois de tanto tempo na clandestinidade encegueirou-se ao sair, que sentiu a brisa fresca na pele e que havia zonas da cidade que não reconhecia, que tinham lugares e negócios novos.

"O caminho para casa, foi como se estivesse a chegar de viagem, depois de muitos anos", frisou.

E desabafou: "suportei isto, pela fé em Deus e nas orações. Agora posso falar com tranquilidade, mas vivi momentos muito difíceis, ataques de pânico e de ansiedade, de sentir-me oprimida".

E denuncia que "milhares de dirigentes, não apenas 10 nem 20" estão ainda na clandestinidade, desde líderes máximos a quadros regionais e médios.

"Não se fala sobre a clandestinidade, porque então deixaria de ser clandestinidade. Aqui houve ditaduras e pessoas na clandestinidade, mas há muito tempo que isso não se via. Coube-nos fazer parte disso, sobreviver a isso e aqui estou", disse.

Explicou ainda que só agora que soube de pessoas que foram presas porque os familiares foram ameaçados para não fazer a denúncia e que depois de tanto tempo foram localizados.

Tavares exige que todos os presos políticos sejam libertados, mas com liberdade plena, porque "continuam reféns, têm de comparecer em tribunal e continuam os julgamentos, havendo o risco de que venham a ser presos de novo".

A Portugal agradece o empenho "importante", mas "tímido" na defesa dos seus cidadãos.

"Tem sido tímido. Há países da Europa que têm sido mais enérgicos e mais contundentes, mas, no entanto, Portugal não chegou ao extremo da Espanha, que tem sido mais silenciosa e mais complacente [com o regime]", disse precisando que foi um dos países que exigiu certificação dos resultados eleitorais.

Por outro lado, agradeceu a acolhida de Portugal aos lusodescendentes e venezuelanos que tiveram de emigrar.

Leia Também: MNE confirma libertação de mais um luso-venezuelano. "Emoção, justiça"

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/pais/2931531/lusodescendente-deixa-a-clandestinidade-para-exigir-liberdade-dos-presos-politicos#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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